Na Itália, Berlusconi critica juízes durante julgamento

Segundo premiê italiano, magistrados são 'um câncer na democracia' italiana

Agência Estado

09 de maio de 2011 | 11h56

Berlusconi é acusado de corrupção no chamado caso Mills. Foto: Alessandro Garofalo/Reuters

     

 

MILÃO - O primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, atacou nesta segunda-feira, 9, juízes, qualificando-os como "um câncer da democracia". A declaração foi dada no dia de sua primeira aparição em um tribunal em um julgamento por suborno, um dos três processos atualmente enfrentados pelo magnata.

Berlusconi falou durante um intervalo da audiência onde ele é acusado de pegar a seu ex-advogado britânico David Mills US$ 600 mil, em troca de um falso testemunho sobre suas transações financeiras. Esses magistrados "são o câncer de nossa democracia, responsáveis por repetidas tentativas de subversão", afirmou o premiê. Já os juízes que rejeitam acusações de promotores foram chamados por Berlusconi de "heróis".

O premiê qualificou o caso Mills como "incrível, realmente surreal". Segundo ele, "não há motivo para corrupção, nem prova de que o dinheiro foi pago, nada". Ele negou inclusive conhecer Mills, considerado culpado em 2009 por receber 416 mil euros e sentenciado a quatro anos e meio de prisão. Um tribunal de apelações anulou o caso contra o advogado em 2010, pois seu prazo legal já tinha expirado.

O caso de Berlusconi foi adiado para o dia 16, quando o chefe da equipe de Fórmula 1 Renault, Flavio Briatore, irá comparecer como testemunha. É a primeira vez que Berlusconi comparece a um tribunal para responder às acusações de que pagou Mills para inventar um testemunho que sabia ser falso.

Antes da audiência, partidários de Berlusconi e dos magistrados lembraram as vítimas de terrorismo no país. Nos anos 1970, 26 magistrados e procuradores foram mortos na Itália, quando o grupo esquerdista Brigadas Vermelhas e extremistas de direita cometeram homicídios, ou em ataques da máfia. O presidente italiano, Giorgio Napolitano, comandou uma cerimônia em Roma para marcar a data e lembrar os funcionários vítimas da violência.

Berlusconi é acusado ainda de pagar por sexo com uma prostituta menor de idade, conhecida por Ruby, e posteriormente tentar encobrir essa situação abusando de seu poder. O premiê também é acusado de fraude na compra de direitos de distribuição da Mediatrade-RTI, parte de seu império midiático Mediaset, mas não se sabe se esse caso resultará em julgamento. As informações são da Dow Jones.

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