Na Líbia, mulher que denunciou estupro será processada

Uma mulher líbia que conseguiu entrar em um hotel de Trípoli para denunciar a jornalistas estrangeiros que havia sido estuprada por 15 homens das forças de Muamar Kadafi será acusada criminalmente, disse hoje um porta-voz do governo.

AE, Agência Estado

29 de março de 2011 | 13h20

O funcionário, Moussa Ibrahim, disse que os homens denunciados por Iman al-Obeidi a acusaram formalmente. O filho de um alto funcionário líbio está entre os suspeitos de terem estuprado a mulher. "Os rapazes que ela acusou abriram um caso contra ela, porque é um fato muito grave acusar alguém de um crime sexual", disse Ibrahim.

Iman virou notícia quando invadiu no sábado o Hotel Rixos, em Trípoli, procurando jornalistas estrangeiros. Ela disse que havia sido detida por soldados de Kadafi em um posto de controle na quarta-feira passada. Segundo ela, os soldados estavam bebendo whisky, depois a algemaram e 15 homens a violentaram. A versão não pôde ser checada de maneira independente.

Ao começar a contar sua história, a mulher foi segurada por camareiras e funcionários do governo, retirada do hotel e levada a um local desconhecido. Segundo seus pais, ela está detida em Trípoli. As autoridades líbias já qualificaram a mulher como bêbada, prostituta e ladra. Hoje, Ibrahim não quis dizer qual é o paradeiro da mulher, mas no sábado ele afirmou que ela estava com sua irmã em Trípoli.

Segundo o porta-voz, há contra ela uma acusação por prostituição e furto. Já os pais de Iman disseram à rede Al Jazeera ontem que a filha é advogada, com estudos de pós-doutorado. A mãe afirmou que recebeu um telefonema de um homem não identificado, supostamente do grupo de Kadafi, dizendo que a filha deveria retirar a denúncia, e então obteria sua liberdade e outros benefícios, como dinheiro vivo ou uma casa nova. As informações são da Associated Press.

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