Na Líbia, presidente sul-africano quer convencer Kadafi a renunciar

Jacob Zuma vai tentar retomar esforços da União Africana, que pediu cessar-fogo antes dos ataques da Otan

estadão.com.br,

30 de maio de 2011 | 10h18

Atualizada às 16h05

 

Zuma (esq) ao lado do premiê líbio Al-Baghdadi Ali Al-Mahmudi, na chegada a Trípoli

 

TRÍPOLI - O presidente da África do Sul, Jacob Zuma, chegou nesta segunda-feira, 30, à capital da Líbia, Trípoli para conversas com o líder Muamar Kadafi, informou um correspondente da France Presse. A intenção de Zuma é dialogar com Kadafi para articular o fim do conflito entre forças do governo e rebeldes.

 

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De acordo com a AP, a visita de Zuma ao país representa uma tentativa de testar a relevância da União Africana (UA), organização que ficou desacreditada na resolução do conflito, e da amizade entre o partido do presidente sul-africano e o regime de Kadafi.

 

Os esforços da UA, bloco de 54 países da região, para resolver o conflito entre Kadafi e os insurgentes líbios foram ofuscados pelos ataques que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) começou a fazer no país a partir de 19 de março.

 

Segundo a AP, a visita do presidente sul-africano a Trípoli tem, oficialmente, o objetivo de retomar o "mapa da estrada" da UA. O projeto, de fevereiro, anterior aos ataques da Otan, pedia um cessar-fogo imediato das forças de Kadafi.

 

Extraoficialmente, contudo, de acordo com o jornal sul-africano Mail e com o inglês Guardian, Zuma vai tentar convencer Kadafi a deixar o poder. Os diários citam, segundo a AP, fontes do alto escalão de segurança da África do Sul.

 

A viagem de Zuma ocorre em um momento de impasse na Líbia. Kadafi segue se recusando a deixar o poder apesar da intensificação dos ataques da Otan sobre a capital. Os rebeldes, por outro lado, estão se enfraquecendo militar e financeiramente apesar do crescente reconhecimento diplomático. 

 

Tapete vermelho e bandeiras verdes

 

Zuma foi recebido pelo primeiro-ministro líbio, Al-Baghdadi Ali Al-Mahmudi, no aeroporto Mitiga, em Trípoli, onde foi instalado um tapete vermelho na pista e onde um grupo de crianças cantava: "Queremos Kadafi", enquanto balançavam bandeiras verdes do regime e fotografias do líder líbio.

 

O líder sul-africano quer um cessar-fogo imediato para acelerar os esforços de ajuda humanitária. Além disso, tentará negociar reformas para eliminar a causa do conflito, que começou em meio a protestos contra o regime, em meados de fevereiro. Os rebeldes querem a saída de Kadafi do poder, mas o governante, no poder desde 1969, se recusa a deixar o posto.

 

Otan

Ataques aéreos liderados pela Otan teriam matado 11 pessoas hoje na cidade de Zlitan, a oeste de Misrata, segundo a agência estatal líbia Jana. Áreas civis e militares teriam sido atingidas.

Há ainda um número não informado de feridos, diz a agência. A Otan realiza ataques aéreos no país para preservar a vida de civis, amparada por um mandato do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).

 

Com Agência Estado e AP

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