Na onda dos aposentados K

Benefício a idosos garante apoio a Cristina Kirchner

Rodrigo Cavalheiro, Correspondente de O Estado de S.Paulo

08 de fevereiro de 2015 | 02h04

BUENOS AIRES - Até os 73 anos, María Lucía Paggi, hoje com 83, nunca tinha pensado em se aposentar. Havia passado vida como dona de casa, sem fazer contribuições para a previdência social, e recebia uma ajuda de 180 pesos (R$ 57). Em 2005, Néstor Kirchner decidiu que ela e milhares em situação semelhante poderiam se aposentar pagando cotas. Hoje, recebe 3.800 pesos (R$ 1,2 mil), dos quais é descontado o equivalente a R$ 160. "Graças a Kirchner, não paro de viajar. Conheci toda a Argentina", celebra, franzindo a testa enquanto lembra os destinos. "Já fui a Salta, Mendoza, São Luis, Cataratas, Perito Moreno. Até ao Brasil eu fui três vezes, com toda a família, para uma ilha que não lembro o nome (Florianópolis, sopra alguém da família). O sonho é a Itália", diz a moradora da Ilha Maciel, região ao lado do bairro da Boca que abriga milhares de imigrantes.

María Lucía lamenta que Cristina Kirchner não possa concorrer, pois não confia nos demais candidatos. Salienta que antes "uma velha" como ela dependia dos filhos para comer e "até para comprar um par de sapatos".

Contraponto. A Argentina tem 1,5 milhão de aposentados que não eram contribuintes. Acusado de usar projetos assistencialistas para garantir votos, o kirchnerismo usa esse exemplo para argumentar que seus gastos incluem também a garantia de novos direitos sociais.

Para o economista José Luis Spert, o desembolso do governo é insustentável. "O gasto público chegou a um recorde de 43% do PIB, algo impagável. É um programa econômico que não tem nenhuma chance. Talvez governo que assuma faça ajustes e evite uma grande crise, pois estamos em recessão desde 2012", avalia. Segundo o especialista, será inevitável uma desvalorização do peso, liberar acesso ao dólar e um plano para controlar a inflação.

Especialistas apontam os 7,5 milhões de aposentados, em uma população de 41 milhões, como um público kirchnerista. Principalmente porque recebem dois reajustes por ano - em 2014, tiveram 38%, o suficiente para cobrir a inflação real e superar a oficial, que o governo aponta em 23%. "Minhas amigas reclamam que 'tudo sobe'. Eu digo 'não reclamem, se antes vocês não tinham um peso no bolso", diz María Lucía.

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