Carlo Allegri / Reuters
Carlo Allegri / Reuters

Na ONU, Raúl reitera apelo por fim de embargo e Guantánamo

Presidente cubano fala por apenas 15 minutos e manifesta solidariedade por líderes latino-americanos e do Oriente Médio

CLÁUDIA TREVISAN, ENVIADA ESPECIAL / NOVA YORK

28 Setembro 2015 | 20h23

NOVA YORK - No primeiro discurso que proferiu na Organização das Nações Unidas (ONU), o presidente cubano, Raúl Castro, disse que a normalização total do relacionamento entre seu país e os Estados Unidos só será possível com o levantamento do embargo econômico, a devolução da base de Guantánamo e a indenização pelos danos provocados pelas sanções americanas.

Raúl se reunirá hoje com o presidente dos EUA, Barack Obama, no segundo encontro de ambos desde o histórico anúncio de restabelecimento de relações diplomáticas, feito pelos dois líderes em dezembro. Apesar de terem aberto embaixadas respectivas, os laços entre os países estão longe de serem normalizados.

Ambos os lados dizem que esse processo demandará tempo e exigirá a solução de uma série de pendências. Do lado americano, uma das principais reivindicações é o pagamento de indenização a empresas e cidadãos americanos que tiveram bens expropriados pela revolução cubana.

A visita de Raúl aos Estados Unidos é a primeira que ele realiza desde 1959.  Seu discurso na ONU foi curto em comparação ao precedente estabelecido por seu irmão, Fidel Castro, dono do recorde da organização. Em 1960, ele falou por quatro horas e 48 minutos. Ontem, Raúl deu seu recado em cerca de 15 minutos. 

A maior parte do pronunciamento foi dedicada à manifestação de solidariedade e à defesa de causas promovidas por países em desenvolvimento. "Reiteramos nosso apoio solidário à presidente Dilma Rousseff e ao povo brasileiro na defesa de suas importantes conquistas sociais e da estabilidade do país", afirmou. Raúl disse que Cuba ficará ao lado da Venezuela contra tentativas de desestabilizar e subverter a ordem constitucional do país. A mesma posição foi manifestada em relação ao presidente Rafael Corrêa, do Equador -"alvo do mesmo roteiro de desestabilização usado contra outros governos progressistas da região".

O presidente cubano também se posicionou contra a "ingerência externa" na Síria e defendeu a criação de um Estado palestino soberano, com capital em Jerusalém Oriental.

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