Na ONU, Amorim diz que mundo tem de evitar conflito no Irã

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, voltou a defender durante discurso na Organização das Nações Unidas (ONU) nesta quinta-feira o diálogo com o Irã sobre o programa nuclear do país.

REUTERS

23 de setembro de 2010 | 12h18

Discursando para a Assembleia Geral da ONU, Amorim afirmou que, apesar da imposição de uma nova rodada de sanções contra o Irã, ainda acredita em uma solução dialogada para o impasse envolvendo as ambições nucleares iranianas.

"O mundo não pode permitir um novo conflito como o do Iraque", disse o ministro, retomando a alusão feita reiteradamente pelo governo brasileiro à guerra do Iraque, iniciada sob liderança dos Estados Unidos sob alegação de que o país tinha armas de destruição em massa, o que nunca se comprovou.

Potências ocidentais, capitaneadas pelos EUA, suspeitam que o programa nuclear do Irã seja um disfarce para a busca pela fabricação de armas atômicas. Teerã nega.

Recentemente o Brasil se envolveu diretamente na questão nuclear iraniana ao mediar, juntamente com a Turquia, um acordo de troca de combustível nuclear com a República Islâmica. A Declaração de Teerã, no entanto, não foi considerada suficiente pelas potências mundiais, que impuseram uma nova rodada de sanções ao país no Conselho de Segurança da ONU.

Em seu discurso, Amorim também tratou de temas latino-americanos, especialmente o embargo econômico imposto pelos Estados Unidos a Cuba.

"O Brasil reitera o seu repúdio, que é de todos os países latino-americanos e caribenhos, ao ilegítimo bloqueio a Cuba, cujo único resultado tem sido prejudicar milhões de cubanos em sua luta pelo desenvolvimento", afirmou.

Amorim também condenou o que chamou de retrocesso democrático em Honduras e estabeleceu a volta incondicional do ex-presidente hondurenho Manuel Zelaya, deposto em um golpe militar no ano passado, ao país como condição para a retomada "da normalização plena das relações de Honduras com o conjunto da região".

O chanceler aproveitou ainda para cobrar das potências nucleares a eliminação de seus arsenais. "Para alcançarmos um mundo verdadeiramente seguro, é preciso que seja cumprida a promessa da eliminação total das armas nucleares", defendeu.

"Cortes unilaterais são bem-vindos, mas insuficientes, sobretudo quando ocorrem em paralelo à modernização dos arsenais atômicos."

(Por Eduardo Simões; Edição de Maria Teresa de Souza)

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