Jason Szenes/Efe
Jason Szenes/Efe

Na ONU, Bibi pede limite a plano do Irã

Premiê israelense traça 'linha vermelha' no avanço nuclear iraniano, a qual representaria o ponto em que Teerã teria capacidade de desenvolver um artefato atômico

Gustavo Chacra, correspondente em Nova York, O Estado de S.Paulo

28 de setembro de 2012 | 03h07

NOVA YORK - Com um gráfico em forma de bomba e caneta na mão, o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, traçou para o programa nuclear do Irã uma "linha vermelha" que indicaria o ponto exato em que Teerã terá quantidade suficiente de urânio enriquecido para fazer uma bomba. Da tribuna da ONU, Netanyahu instou a comunidade internacional a agir e expressou confiança em que os EUA liderem o cerco ao Irã.

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Segundo o líder israelense, o patamar indicado pode ser ultrapassado em meados do ano que vem, abrindo as portas a uma ação militar contra as instalações iranianas. A república islâmica diz que seu programa nuclear tem apenas fins pacíficos.

Com tom professoral, Netnayhu mostrou à Assembleia-Geral das Nações Unidas um diagrama com três espaços. O primeiro, de zero até 70% de enriquecimento do urânio; o segundo, até 90%; e o último, patamar que aponta capacidade de produzir a bomba.

De acordo com o premiê, o programa nuclear iraniano precisa ser interrompido antes de atingir os 90% de enriquecimento. "A pergunta relevante não é quando o Irã conseguirá a bomba. Mas em qual estágio nós podemos impedir o Irã de conseguir a bomba", afirmou.

"Uma linha vermelha estabelecendo um limite deve ser desenhada aqui", na altura dos 90%, "antes de o Irã completar o segundo estágio de enriquecimento de urânio necessário para a fabricação da bomba". O israelense concluiu: "Nesse ponto, estará a alguns meses ou a algumas semanas do total necessário para construir uma arma nuclear".

O governo de Barack Obama e uma série de analistas avaliam que, se o Irã decidir realmente construir uma bomba, haverá tempo suficiente para levar adiante uma operação militar. Netanyahu elogiou ontem o presidente americano por ter afirmado em seu discurso que "não tolerará um Irã nuclear". Os dois não tem boa relação. Além disso, o israelense tem amizade pessoal com o candidato republicano à presidência, Mitt Romney, desde os tempos em que trabalharam juntos em uma consultoria em Boston.

No ano passado e no retrasado, quando foi à ONU, Netanyahu também deixou claro ser urgente, na avaliação dele, impedir o regime de Teerã de desenvolver uma arma atômica.

O israelense não comentou o discurso do dia anterior feito pelo presidente do Egito, Mohamed Morsi, no mesmo púlpito. Primeiro presidente eleito democraticamente da história do Egito, Morsi defendeu um Oriente Médio livre de armas nucleares. Israel, oficialmente, não nega e tampouco confirma ter armas atômicas, mas há consenso na comunidade internacional, incluindo nos EUA, de que os armamentos existem.

Para Netanyahu, o Irã com a bomba "equivale a uma Al-Qaeda nuclear". O premiê também advertiu para os riscos do extremismo islâmico.

 

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