Na ONU, Dilma prega nova ordem na economia e apoia Estado palestino

Presidente brasileira abre uma das mais esperadas sessões da Assembleia-Geral, marcada pela tentativa da Autoridade Palestina de obter reconhecimento como Estado soberano; líder recebe aplausos ao criticar demora na reforma do Conselho de Segurança

LISANDRA PARAGUASSU , ENVIADA ESPECIAL / NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

22 de setembro de 2011 | 03h02

Em seu discurso ontem na Assembleia-Geral da ONU, a presidente Dilma Rousseff lamentou não poder saudar ali, da tribuna, o ingresso pleno da Palestina na entidade. Qualificou a crise econômica global de "séria demais" para ser administrada "por apenas poucos países" (mais informações na página A17). E saudou a maior presença feminina nas esferas de poder - ao falar 24 minutos, ela se tornou a primeira mulher a abrir uma sessão da ONU.

Foram exatamente esses três pontos - o contexto diplomático envolvendo a questão palestina, a crise econômica e o fato de ter se tornado a primeira mulher a abrir a Assembleia-Geral da ONU (tradicionalmente, um privilégio reservado ao líder brasileiro) - que ampliaram a expectativa internacional pelo pronunciamento de Dilma.

Num discurso oposto ao do presidente americano, Barack Obama, Dilma defendeu o reconhecimento dos palestinos como um Estado soberano como a única forma de garantir a segurança na região. "O reconhecimento ao direito legítimo do povo palestino à soberania e à autodeterminação amplia as possibilidades de uma paz duradoura no Oriente Médio. Apenas uma Palestina livre e soberana poderá atender aos legítimos anseios de Israel por paz com seus vizinhos, segurança em suas fronteiras e estabilidade política em seu entorno regional", afirmou.

Entre os mais de 130 chefes de Estado e outras dezenas de representantes dos 194 países filiados à ONU, a fala da presidente agradou à maior parte, numa prévia do que pode ser uma votação sobre o ingresso da Palestina na organização. No seu lugar, na tribuna dos Estados observadores, o presidente palestino, Mahmoud Abbas, não escondeu a satisfação.

A presidente atacou pontos polêmicos em seu discurso, defendeu as mulheres, falou contra a pobreza. Parou seis vezes para ser aplaudida. Não apenas pela defesa da Palestina mas também por criticar, mais uma vez, a demora na reforma do Conselho de Segurança da ONU.

"Muito se fala sobre a responsabilidade de proteger, pouco se fala sobre a responsabilidade ao proteger", afirmou, criticando intervenções militares nas quais o resultado foram, na sua avaliação, mais riscos, mais mortes e o surgimento do terrorismo em áreas onde antes não existia. "A atuação do Conselho de Segurança é essencial, e ela será tão mais acertada quanto mais legítimas forem suas decisões, e a legitimidade do próprio Conselho depende, cada dia mais, de sua reforma", disse.

No início do discurso, Dilma lembrou que, em português, as palavras vida, alma e esperança são femininas, assim como a coragem e a sinceridade com que ela falaria à Assembleia. Ao final, a presidente disse que juntava sua voz "à das mulheres que ousaram lutar e participar da política".

Logo depois de deixar o plenário da Assembleia, numa rápida entrevista à Rádio ONU, Dilma revelou sua satisfação com o resultado do discurso: "Foi um momento especial para mim, para o Brasil e para as mulheres do mundo. Eu vou levar essa lembrança da presença calorosa das mulheres deste plenário".

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.