Na ONU, EUA cobram transição em Mianmar

Embaixador admitiu, no entanto, que militares continuarão tendo papel no futuro do país

PATRICK WORSNI, REUTERS

09 de outubro de 2007 | 17h46

O embaixador dos EUA na ONU disse na terça-feira que chegou a hora de preparar uma transição política em Mianmar, mas admitiu que os militares continuarão tendo um papel no futuro do país. Zalmay Khalilzad falou enquanto representantes dos 15 países do Conselho de Segurança buscavam um consenso sobre uma declaração que pela primeira vez representaria uma pressão das principais potências - inclusive a China - contra a junta militar birmanesa. "Acreditamos ser muito importante que haja negociações para uma transição e que precisamos começar a nos preparar a respeito de uma transição na Birmânia", disse Khalilzad, citando o país por seu antigo nome. "Os militares, como instituição nacional, têm seu papel a desempenhar na transição e no pós-transição, mas é muito importante que comece um diálogo sério a respeito da transição e que a comunidade internacional, os atores regionais, desempenhem seus papéis", disse ele. Depois da violenta repressão às manifestações pró-democracia do mês passado, a junta militar nomeou um funcionário para agir como intermediário em possíveis negociações com a líder oposicionista Aung San Suu Kyi, que está sob prisão domiciliar. Khalilzad cobrou melhorias na situação dela para que ela possa se preparar para as negociações, e também pediu que o enviado especial da Organização das Nações Unidas (ONU), Ibrahim Gambari, que na semana passada passou quatro dias em Mianmar, volte assim que possível para assistir o diálogo. EUA, Grã-Bretanha e França apresentaram na sexta-feira uma proposta de resolução do Conselho de Segurança sobre Mianmar, condenando a repressão da junta e exigindo a libertação de presos políticos e o início de um diálogo com a oposição. Nos últimos dois dias, diplomatas do Conselho discutem a declaração, que Khalilzad disse que pode ser concluída na terça-feira -- outros diplomatas afirmam que não haverá consenso antes de quinta. Ao contrário de uma resolução, a declaração não é de cumprimento obrigatório. Mas qualquer documento em termos duros que for aprovado pela China - principal aliada da junta militar - já será considerado um forte recado ao regime.

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