Na ONU, Iraque acusa Estado Islâmico de tráfico de órgãos

Segundo reportagem da CNN, militantes retiram partes de corpos de civis assassinados para lucrar com suas vendas

NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

20 de fevereiro de 2015 | 02h03

As Nações Unidas estão analisando denúncias de que o grupo fundamentalista Estado Islâmico (EI), que domina amplas regiões da Síria e do Iraque e começa a mostrar ramificações no Norte da África, pode estar se beneficiando de tráfico de órgãos - informou ontem a emissora de TV americana CNN. De acordo com a reportagem, os militantes estariam recolhendo partes de corpos de suas vítimas civis e vendendo.

A CNN afirmou que, segundo o embaixador britânico na ONU, Mark Lyall Grant, esse assunto ainda não tinha sido discutido de maneira oficial. "Grant disse que não há nenhuma prova ou evidência da alegação, feita pelo embaixador do Iraque nas Nações Unidas (Mohamed al-Hakim)."

A TV americana informou que o diplomata iraquiano pediu ao Conselho de Segurança (CS) da ONU que investigue as mortes de 12 médicos em Mossul. Os profissionais de saúde, segundo o relato, teriam sido assassinados por militantes do EI após se recusar a retirar órgãos de cadáveres na cidade iraquiana - conquistada pelos extremistas em junho.

"Alguns dos corpos foram encontrados mutilados, o que significa que algumas partes desapareceram", disse Hakim. De acordo com o embaixador, foram encontradas incisões nas costas dos cadáveres, na região dos rins. "Claramente, isso é maior do que nós pensávamos", afirmou o diplomata.

A CNN citou informações do Organs Watch, um projeto de documentação e pesquisa da Universidade da Califórnia, afirmando que o roubo de corpos para tráfico de órgãos e tecidos é uma prática comum.

Detroit. Um iraquiano que vive no Estado de Michigan foi acusado de mentir às autoridades federais americanas sobre planos de treinar e lutar com o Estado Islâmico no Oriente Médio.

De acordo com a denúncia, Al-Hamza Mohamed Jawad, de 29 anos, foi detido na terça-feira por agentes do governo americano no Aeroporto Metropolitano de Detroit, onde embarcaria em um voo para a Jordânia.

As autoridades desconfiaram do iraquiano quando ele não soube explicar por que tinha comprado uma passagem só de ida para a Jordânia no dia anterior à viagem.

Segundo a acusação, Jawad disse a policiais do FBI que tinha ligação com extremistas violentos no Iraque, mas depois disse ter inventado a história. O suspeito deveria comparecer ontem a um tribunal. Jawad chegou nos EUA em 2013. / AP

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