Brendan Smialowski/AFP
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Na ONU, Israel pressiona Trump a romper pacto nuclear com Irã

Trump deverá abordar a questão no discurso que fará hoje na Assembleia-Geral da ONU, seu primeiro no organismo que é alvo frequente de suas críticas

O Estado de S.Paulo

18 Setembro 2017 | 19h08

NOVA YORK- A Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) se transformou em um território de disputa em torno do acordo sobre o programa nuclear do Irã. O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, pressionou ontem o anfitrião Donald Trump a abandonar ou modificar o pacto, enquanto o presidente iraniano, Hassan Rohani, declarou que uma decisão nesse sentido imporia um “elevado custo” para os Estados Unidos.

“Vocês saberão muito em breve”, respondeu Trump quando questionado por jornalistas se manteria Washington no acordo. No dia 15 de outubro, sua administração terá de decidir se envia ao Congresso documento periódico que certifica o cumprimento dos compromissos do Irã previstos no documento, adotado em 2015 por EUA, China, Rússia, França, Inglaterra, Alemanha e a república islâmica. 

Se a certificação não for enviada, o Congresso terá 60 dias para decidir se restaura sanções que foram levantadas em troca de compromissos do Irã de suspender aspectos de seu programa nuclear.

Apesar de a Agência Internacional de Energia Atômica ter informado que Teerã respeita os termos do documento, a embaixadora americana na ONU, Nikki Haley, afirmou que Washington poderá se negar a conceder a certificação. Trump é um crítico da negociação promovida por seu antecessor, à qual costuma se referir como um dos “piores acordos” que já viu.

O assunto esteve no topo da agenda de reunião bilateral entre o presidente americano e o premiê de Israel realizada ontem em Nova York. “Eu espero discutir como nós podemos enfrentar juntos o que você chama de maneira apropriada de o terrível acordo nuclear com o Irã e como podemos reduzir a crescente agressão iraniana na região, especialmente na Síria”, afirmou Netanyahu no início do encontro com o americano. Teerã é um dos principais aliados do líder sírio, Bashar Assad.

Trump deverá abordar a questão no discurso que fará hoje na Assembleia-Geral da ONU, seu primeiro no organismo que é alvo frequente de suas críticas. 

Em entrevista à CNN, Rohani observou que o eventual abandono do acordo reduzirá a credibilidade internacional dos Estados Unidos. “Por que os norte-coreanos gastariam seu tempo para sentar ao redor de uma mesa de diálogo com os Estados Unidos?’, perguntou. “Eles pensariam que talvez depois de anos de conversas e um acordo potencial a próxima administração dos EUA poderia recuar e se retirar do acordo.”

Em sua opinião, isso prejudicaria outras iniciativas semelhantes de Washington. “Sair de um acordo desse tipo carregaria um elevado custo para os Estados Unidos e eu não acredito que os americanos estarão dispostos a pagar esse alto preço por algo que não teria utilidade para eles”, afirmou Rohani. O presidente iraniano disse ainda que seu país responderá rapidamente a um agravamento da tensão com Washington. 

Os dois lados terão chance de abordar diretamente suas diferenças na quarta-feira, quando o secretário de Estado americano, Rex Tillerson, se encontrará pela primeira vez com o chanceler do Irã, Mohammad Javad Zarif.

A França pediu ontem que os EUA permaneçam no tratado, ainda que isso implique a renegociação de seus termos em 2025, quando termina sua fase de implementação. “Isso é essencial para evitar a proliferação (nuclear). Nesse período quando nós vemos os riscos com a Coreia do Norte, temos de manter essa linha”, disse o chanceler Jean-Yves Le Drian.

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