Na ONU, Obama agrada a Israel e irrita palestinos

Presidente diz que reconhecimento não pode ser obtido na ONU e dá soluções distintas para levantes na Síria, Iêmen e Bahrein

GUSTAVO CHACRA , CORRESPONDENTE / NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

22 Setembro 2011 | 03h03

Em discurso na Assembleia-Geral da ONU, que agradou aos israelenses e recebeu críticas do mundo árabe, o presidente dos EUA, Barack Obama, defendeu a criação de um Estado palestino apenas por meio de negociações com Israel. Ele criticou a iniciativa unilateral da Autoridade Palestina de obter reconhecimento nas Nações Unidas.

"Um ano atrás, eu pedi nesse mesmo pódio uma Palestina independente. Eu acreditava na época, e acredito agora, que o povo palestino tem o direito de ter o próprio Estado, mas também acho que uma paz genuína apenas pode ser alcançada entre palestinos e israelenses", disse Obama. "A paz não virá por meio de declarações e resoluções nas Nações Unidas."

Diante de críticas internas de opositores republicanos, que dizem que ele tem sido muito duro com Israel, o presidente reafirmou a amizade entre os dois países. "O compromisso dos EUA com a segurança de Israel é inabalável", declarou.

Ao mesmo tempo, o líder americano tentou mostrar ao mundo árabe, onde é acusado de ser pró-Israel, sua preocupação com os palestinos. "Queremos os palestinos vivendo em um Estado soberano, sem limites para o que possam atingir", afirmou.

Em reunião à noite com o presidente palestino, Mahmoud Abbas, Obama reiterou que vetará a proposta de reconhecimento dos palestinos no Conselho de Segurança da ONU.

O discurso de Obama foi elogiado por diferentes setores da comunidade judaica nos EUA e da política israelense. O chanceler Avigdor Lieberman, um dos mais conservadores do governo de Israel e crítico do presidente americano, afirmou que "assinaria com as duas mãos o discurso de Obama".

O grupo liberal judaico americano J-Street, opositor do premiê Binyamin Netanyahu, publicou comunicado dizendo que o presidente estava correto ao dizer que não há atalhos para a paz.

Entre os árabes, a reação foi dura. Líderes palestinos se disseram decepcionados com Obama. "Nós respeitosamente diremos 'não' a Obama", afirmou Nabil Shaat, um dos principais porta-vozes da Autoridade Palestina. O presidente do Líbano, Michel Suleiman, que preside o Conselho de Segurança, e o rei Abdullah, da Jordânia, defenderam a iniciativa palestina em seus discursos na ONU, adotando posições contrárias à dos EUA, apesar de ambos serem aliados de Washington.

No discurso, Obama celebrou também a primavera árabe. Ele voltou a criticar o regime de Bashar Assad pela repressão à oposição síria, e o Irã por seu programa nuclear. Ele ainda tentou diferenciar seu governo do de George W. Bush ao dizer que os EUA terão menos da metade do contingente militar no Iraque e no Afeganistão no ano que vem.

O presidente mostrou ainda uma posição distinta para cada um dos principais levantes árabes. No caso sírio, defendeu sanções do Conselho de Segurança. Para o Iêmen, a recomendação foi diálogo.

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