Na ONU, Obama propõe medidas que combatam causas do extremismo

Presidente dos EUA pede apoio mundial na luta contra o EI e afirma que é preciso atacar as ideologias que sustentam grupos extremistas

Cláudia Trevisan, enviada especial / Nova York, O Estado de S. Paulo

24 de setembro de 2014 | 13h08

NOVA YORK - O presidente Barack Obama pediu na manhã desta quarta-feira, 24, na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) apoio mundial para o combate ao Estado Islâmico (EI), ao mesmo tempo em que propôs medidas de longo prazo para atacar as causas do extremismo que alimenta organizações terroristas do gênero. "A única linguagem entendida por assassinos como esses é a linguagem da força. Portanto, os Estados Unidos da América vão trabalhar com uma ampla coalizão para desmantelar essa rede da morte", declarou.

Obama defendeu um misto de ações militares, barreiras ao financiamento e medidas para suspender o fluxo de combatentes estrangeiros para as fileiras dos grupos extremistas. Mas também propôs o ataque à ideologia que sustenta esses grupos, professada na internet e nas redes sociais e reproduzida em algumas escolas religiosas no mundo muçulmano.

"Nenhuma criança nasce odiando e nenhuma criança deve ser ensinada a odiar outras pessoas", disse Obama, defendendo a "redução dos espaços" nos quais o extremismo é cultivado. "Não deve mais haver tolerância aos chamados clérigos que pedem a pessoas que firam inocentes porque eles são judeus, cristãos ou muçulmanos. É o momento de um novo pacto entre povos civilizados desse mundo para erradicar a mais fundamental fonte da guerra: a corrupção de mentes jovens pela ideologia violenta."

No discurso de 30 minutos, o presidente americano reconheceu que a pobreza, a falta de perspectiva econômica e a ausência de liberdade política estão entre os fatores que facilitam o crescimento do extremismo. "Se jovens vivem em lugares nos quais a única opção é entre as ordens de um Estado e o apelo do extremismo clandestino, nenhuma estratégica contra-terrorista pode ter sucesso."

Em uma tentativa de mudar esse cenário, ele disse que os EUA ampliarão seus programas de apoio ao empreendedorismo, à educação e aos jovens no Oriente Médio.

Dirigindo-se a líderes de todo o mundo no plenário da Assembleia Geral da ONU, o presidente pediu o seu engajamento na ofensiva para "degradar" e "destruir" o Estado Islâmico, grupo que controle parte do território da Síria e do Iraque com uma visão violenta e extrema do islamismo. Desde o mês passado, os militantes decapitaram dois jornalistas americanos e um britânico.

Obama se esforçou para dar à campanha um caráter coletivo e rejeitar a percepção de que se trata de um confronto entre seu país e o mundo muçulmano. "Os EUA não estão em guerra com o islã", disse. "Quando falamos da América e do islã, não há nós e eles. Há somente nós, porque o islã faz parte de nosso tecido social." Em seguida, disse que rejeitava qualquer ideia de "choque de civilizações", uma referência ao livro de Samuel Huntington, segundo o qual os conflitos atuais são provocados mais por diferenças culturais do que competição econômica ou ideológica.

À tarde, Obama vai presidir reunião do Conselho de Segurança da ONU que deve aprovar proposta de resolução dos Estados Unidos para conter o fluxo de militantes estrangeiros para as fileiras do EI e outras organizações terroristas. O serviço de inteligência americano estima que 15 mil estrangeiros lutam ao lado de guerreiros extremistas no Iraque e na Síria. Desses, 3 mil seriam ocidentais.

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