Na ONU, presidente libanês pede indiciamento de Israel

Em discurso proferido nesta quinta-feira durante um encontro ministerial da 61ª Assembléia Geral da ONU, o presidente do Líbano, Emile Lahoud, classificou a guerra de Israel contra o Hezbollah como uma "agressão bárbara" contra seu país e civis. O político aproveitou sua subida a tribuna para pedir por uma investigação internacional sobre o recente conflito, que deixou centenas de civis mortos em ambos os lados e destruiu parte significativa da infra-estrutura libanesa em pouco mais de um mês de ataques.Lahoud também criticou o Conselho de Segurança da ONU. Para ele, o órgão foi incapaz de prevenir o "assassinato de crianças libanesas" durante o conflito, que durou pouco mais de um mês e levou, segundo a ONU, a vida de 854 libaneses, a maioria civis. Em Israel, 159 pessoas morreram, das quais 39 eram civis."Do dia 12 de julho ao 14 de agosto meu país foi submetido a uma agressão bárbara, a uma raramente vista campanha de desmembramento", disse o presidente, referindo-se à destruição da infra-estrutura libanesa. Lahoud levantou a imagem de um suposto funcionário da defesa civil libanesa carregando um corpo de uma criança. "Quantas outras crianças como esta irão morrer porque ninguém faz nada por ela?"O suposto membro da defesa civil da foto é Salam Daher - também conhecido como "Capacete Verde" -, um personagem que causou controvérsia na mídia durante o conflito por aparecer em várias fotografias exibindo os corpos de crianças mortas. Embora Daher tenha argumentado que seu objetivo era mostrar que os bombardeios israelenses mataram crianças inocentes, alguns "bloggers" o acusaram de usar os cadáveres para travar uma guerra de propaganda contra Israel.O presidente libanês também aproveitou para pedir por uma investigação internacional da campanha militar israelense. "Estamos esperançosos de que desta vez a comunidade internacional permitirá que esta investigação chegue a sua conclusão natural. Isso significará um indiciamento claro de Israel por suas violações recorrentes das convenções internacionais e da carta dos direitos humanos."A guerra durou 34 dias e começou depois que guerrilheiros do Hezbollah invadiram o território de Israel em uma operação que resultou na morte de três soldados israelenses e na captura de outros dois. O que se seguiu foi uma violenta campanha de bombardeios e ataques israelenses a diversas cidades libanesas, que resultou em centenas de mortes. O Hezbollah, por sua vez, lançou milhares de foguetes de curto, médio e longo alcance contra cidades israelenses, matando dezenas de civis. Apesar da aprovação na ONU de uma resolução de cessar-fogo pedindo a retirada das forças israelenses do sul do Líbano, o Exército de Israel continua a ocupar posições no país. Segundo o comando militar do Estado judeu, a saída ainda não ocorreu pois as forças de paz da ONU na região ainda esperam por reforços."Até hoje, Israel continua a tratar o povo do Líbano como refém", disse Lahoud, que repetiu as acusações de que a Força Aéreas israelense utilizou bombas de fósforo, algo proibido pelas convenções internacionais. Lahoud também fez um alerta aos Estados Unidos, um aliado histórico de Israel. "Nós esperamos que os Estados Unidos não apele a seu poder de veto e permita o indiciamento das ações de Israel", disse.

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