Seth Wenig/AP
Seth Wenig/AP

Na ONU, Síria compara ação de rebeldes estrangeiros ao 11 de Setembro

Ministro de Relações Exteriores criticou ideia de potências ocidentais de que há rebeldes moderados no país

O Estado de S. Paulo,

30 de setembro de 2013 | 16h11

NAÇÕES UNIDAS - O ministro das Relações Exteriores da Síria, Walid al-Moualem, comparou nesta segunda-feira, 30, a atuação de rebeldes estrangeiros na Síria - o que descreveu como uma invasão de terroristas estrangeiros - aos ataques de 11 de setembro de 2011 nos Estados Unidos.

Em discurso na reunião anual da Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) em Nova York, Moualem disse que "terroristas de mais de 83 países estão envolvidos na matança de nosso povo e nosso Exército sob o apelo da jihad (guerra santa) global Takfiri (Takfiri se refere ao muçulmano infiel ou não praticante)".

A ONU afirma que mais de 100 mil pessoas morreram na guerra civil síria, que já dura dois anos e meio. O levante começou em março de 2011, quando o governo tentou sufocar manifestações pró-democracia. Atualmente mais de metade dos 20 milhões de sírios precisa de ajuda humanitária.

"O povo de Nova York testemunhou as devastações do terrorismo e foi consumido no fogo do extremismo e do derramamento de sangue, da mesma maneira que estamos sofrendo agora na Síria", disse Moualem, referindo-se aos ataques de 11 de Setembro. "Como alguns países, atingidos pelo mesmo terrorismo que sofremos agora na Síria, podem afirmam que combatem o terrorismo em todo o mundo enquanto o apoiam em meu país?", indagou.

O governo do presidente Bashar Assad acusa Turquia, Arábia Saudita, Catar, Grã-Bretanha, França e os EUA de armar, financiar e treinar forças rebeldes na Síria.

Moualem descartou a ideia de que haja rebeldes moderados em seu país, os quais as potências ocidentais dizem que pretendem apoiar. "As afirmações sobre a existência de militantes moderados e extremistas se tornaram uma piada de mau gosto...Terrorismo é terrorismo. Não pode ser classificado como moderado e extremista."

Moualem também mencionou vídeos perturbadores publicados na Internet no início do ano nos quais um rebelde come o que parece ser o coração de um soldado do governo. "As cenas de assassinato, massacre, de corações humanos sendo devorados foram mostradas na TV, mas não tocaram consciências cegas", afirmou.

"Há civis inocentes cujas cabeças foram postas em grelhas só porque violaram a ideologia extremista e as visões distorcidas da Al-Qaeda", disse. "Na Síria há assassinos que desmembram pessoas vivas e enviam os membros às famílias, só porque esses cidadãos estão defendendo uma Síria unificada e secular", declarou Moualem.

No início deste mês, investigadores de direitos humanos da ONU disseram que desde julho rebeldes sírios linha-dura e combatentes estrangeiros, invocando a jihad, aumentaram os assassinatos, execuções e outros abusos no norte do país.

Na semana passada, o Conselho de Segurança da ONU obteve um raro momento de unidade a respeito da guerra síria, aprovando uma resolução que exige a eliminação do arsenal químico da Síria até meados de 2014. A Rússia, aliada de Assad, também apoiou a medida, baseada em um plano que EUA e Rússia acordaram em Genebra./ REUTERS

 

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