AP Photo/Richard Drew
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Na ONU, Temer fala sobre venezuelanos e diz que Brasil tem orgulho de acolhimento

Presidente criticou isolacionismo, intolerância e unilateralismo e defendeu "integridade da ordem internacional"; ele irá se reunir com o presidente da Colômbia para discutir a situação dos refugiados venezuelanos na região

Beatriz Bulla , Enviada Especial / Nova York

25 Setembro 2018 | 11h34

NOVA YORK - Ao abrir a 73ª reunião da Assembleia-Geral das Nações Unidas na manhã desta terça-feira, 25, em Nova York, o presidente Michel Temer defendeu solidariedade como resposta à intolerância e citou a situação da onda migratória de venezuelanos na América do Sul. Segundo ele, o Brasil tem "orgulho da tradição de acolhimento", e a solução passa por mudanças na Venezuela - leia a íntegra do discurso do presidente brasileiro.

"O Brasil tem recebido todos os que chegam a nosso território. São dezenas de milhares de venezuelanos a quem procuramos dar toda a assistência", disse Temer. O presidente afirmou que com a ajuda do Alto Comissariado para Refugiados (ACNUR) estão sendo construídos abrigos para amparar os venezuelanos.

"Temos promovido sua interiorização para outras regiões do Brasil. Emitimos documentos que os habilitam a trabalhar no País. Oferecemos escola para as crianças, vacinação e serviços de saúde para todos. Mas sabemos que a solução para a crise apenas virá quando a Venezuela reencontrar o caminho do desenvolvimento”, disse.

Temer vai se encontrar nesta manhã com o presidente da Colômbia, Iván Duque, para uma conversa sobre a situação dos venezuelanos.

Paz

Temer falou ainda sobre a paz entre Israel e Palestina, defendendo que diálogo o solidariedade são "matéria-prima da paz duradoura". O presidente citou a situação da Síria e disse que o Brasil dá respaldo a "esforços internacionais para pôr termo ao conflito na Síria, que já se estende há tempo demais". "Só em 2017, doamos cerca de uma tonelada de medicamentos e vacinas em benefício de crianças afetadas pelo conflito. Temos, ainda, acolhido número expressivo de refugiados", afirmou. "É, reafirmo, com diálogo e solidariedade que venceremos a intolerância, que construiremos a paz", disse.

Temer também criticou o que considerou tendências de isolacionismo, intolerância e unilateralismo. "O isolamento pode até dar uma falsa sensação de segurança. O protecionismo pode até soar sedutor. Mas é com abertura e integração que alcançamos a concórdia, o crescimento, o progresso", disse o presidente. Ele também defendeu o multilateralismo, ressaltando a importância de órgãos como a ONU, e falou sobre a necessidade de uma atualização do Conselho de Segurança do organismo.

O presidente brasileiro criticou as "recaídas isolacionistas", como já fez em discurso recente e defendeu a "integridade da ordem internacional". "Os desafios à integridade da ordem internacional são muitos. Vivemos tempos toldados por forças isolacionistas. Reavivam-se velhas intolerâncias. As recaídas unilaterais são cada vez menos a exceção", disse Temer. "Isolacionismo, intolerância, unilateralismo: a cada uma dessas tendências, temos que responder com o que nossos povos têm de melhor", afirmou Temer.

Temer defendeu o multilateralismo e as "respostas articuladas". "Precisamos fortalecer essa Organização (ONU). Precisamos torná-la mais legítima e eficaz. Precisamos de reformas importantes – entre elas a do Conselho de Segurança, que, como está, reflete um mundo que já não existe mais. Precisamos, enfim, revigorar os valores da diplomacia e do multilateralismo", disse o presidente. O G-4, formado por Brasil, Índia, Japão e Alemanha, pretende pressionar por uma reforma no Conselho de Segurança. Os países pleiteiam um assento permanente no órgão.

Temer afirmou ainda que o sistema multilateral de comércio é robusto, com mecanismos para solução de controvérsias "crível e eficaz". "São conquistas históricas de todos nós, que devemos prestigiar e ampliar, com a eliminação de tantas distorções ao comércio agrícola que afetam, sobretudo, países em desenvolvimento", afirmou. "Nada conseguiremos sozinhos. Nada conseguiremos sem a diplomacia, sem o multilateralismo", disse o presidente. Temer também defendeu o Acordo de Paris e a chamada Agenda 2030 como exemplos do compromisso com o desenvolvimento sustentável.

Tradição

Seguindo uma tradição, o Brasil abre as sessões do encontro desde 1949, quando o responsável pelo discurso foi o diplomata Oswaldo Aranha. O presidente que discursaria na sequência de Temer era o americano Donald Trump, mas ele se atrasou para o evento e será o terceiro a falar na Assembleia.

Temer afirmou que o Brasil tem respondido com "ainda mais integração" às tendências de isolacionismo. "O Brasil sabe que nosso desenvolvimento comum depende de mais fluxos internacionais de comércio e investimentos. Depende de mais contato com novas ideias e com novas tecnologias. É na abertura ao outro – e não na introspecção e no isolamento – que construiremos uma prosperidade efetivamente compartilhada", disse o presidente.

Ele citou o Mercosul e a aproximação com os países do grupo com a Aliança do Pacífico, formada por México, Chile, Colômbia e Peru. Ele também citou negociações comerciais com a União Europeia, Canadá, Coreia do Sul, Cingapura, Líbano, Marrocos e Tunísia.

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