TIMOTHY A. CLARY / AFP
TIMOTHY A. CLARY / AFP

Na ONU, Trump anuncia novas sanções ao Irã e chama governo de ‘ditadura corrupta’

Presidente americano abordou relações diplomáticas com a Coreia do Norte, guerra na Síria e trocas comerciais com outros países, além de pedir aos países da OPEP que reduzam seus preços

Beatriz Bulla ENVIADA ESPECIAL A NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

25 Setembro 2018 | 13h38
Atualizado 26 Setembro 2018 | 16h29

O presidente dos EUA, Donald Trump, dedicou parte de seu discurso de nesta terça-feira, 25, na Assembleia-Geral da ONU a uma ofensiva contra a Irã. Ele anunciou sanções econômicas ao país, com início em novembro, e disse que os líderes iranianos “semeiam o caos, a morte e a destruição”. 

“Todas as soluções para a crise humanitária na Síria devem incluir também uma estratégia para enfrentar o regime que a alimentou e financiou: a ditadura corrupta no Irã”, disse Trump, que acusou os líderes iranianos de saquearem o país para enriquecer e “espalhar o caos” no Oriente Médio.

Em seu discurso, Trump, que chegou atrasado para seu discurso, foi na contramão dos que subiram na tribuna da ONU, que fizeram uma defesa do multilateralismo. O americano, no sentido oposto, disse que “jamais submeterá a soberania dos EUA a uma burocracia global não eleita e inexplicável”. “Rejeitamos a ideologia do globalismo e abraçamos a doutrina do patriotismo”, disse o americano.

O presidente, no entanto, não detalhou quais seriam as sanções ao Irã. Seu assessor de Segurança Nacional, John Bolton, disse que os EUA serão agressivos. Em evento paralelo à Assembleia-Geral, o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, criticou a União Europeia, que anunciou medidas para manter seus negócios e a compra de petróleo do Irã, que devem diminuir a eficácia das sanções americanas.

Curiosamente, algumas horas depois, foi a vez do presidente iraniano, Hassan Rohani, discursar na Assembleia-Geral e dar uma resposta ao governo americano. Rohani disse que a política hostil dos EUA em relação ao Irã está condenada ao fracasso. 

“Nossa proposta é clara: compromisso por compromisso, violação por violação, ameaça por ameaça, e passo por passo, em vez de conversa por conversa”, disse o iraniano. “O que o Irã diz é claro: sem guerra, sem sanções, sem ameaças, sem intimidação. Devemos apenas agir de acordo com a lei e com o cumprimento das obrigações.”

Hoje, em entrevista a CNN, Rohani também negou que tivesse solicitado um encontro com Trump – conforme havia sugerido o presidente americano. “O pedido nunca foi feito”, garantiu o iraniano. 

Outros países

Na mesma fala, o presidente americano destacou sua estratégia em relação à Coreia do Norte, advertindo, no entanto, que as sanções contra Pyongyang continuarão até a desnuclearização da Península Coreana. Na Assembleia-Geral do ano passado, Trump usou a mesma tribuna para atacar o líder norte-coreano, Kim Jong-un, e ameaçou “destruir totalmente” o país.

Outro ponto abordado pelo chefe de Estado foi a guerra na síria. “A tragédia em curso na Síria é desoladora. Nossos objetivos compartilhados devem ser a desescalada do conflito militar, junto com a solução política que honra o desejo do povo sírio”, declarou. Trump pediu que o processo de paz liderado pela ONU seja revigorado. No entanto, sublinhou que, caso o regime do presidente Bashar Assad volte a usar armas químicas, “os Estados Unidos vão responder”.

O presidente americano ainda abordou a ajuda financeira fornecida pelos EUA a outros países, afirmando que os benefícios serão concedidos apenas a “amigos”. “Vamos examinar o que está funcionando, e se os países que recebem nossos dólares e nossa proteção também têm nossos interesses no coração.”

Trump insistiu que a ajuda será dada apenas aos Estados que respeitem os EUA. Além disso, reivindicou trocas comerciais “justas e equilibradas”, justificando suas decisões recentes no plano econômico, especialmente em relação à China. Segundo ele, o desequilíbrio comercial com o país “não pode ser tolerado.

O presidente também pediu aos países-membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) que reduzam seus preços. “Os Estados Unidos estão prontos para exportar nosso abundante e acessível estoque de petróleo, carvão limpo e gás natural", anunciou. “A Opep e os países da Opep estão, como sempre, roubando o resto do mundo, e eu não gosto disso. Ninguém deveria gostar disso", criticou. / COM AFP

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