ROMAN PILIPEY / EFE
ROMAN PILIPEY / EFE

Na ONU, UE busca apoio para ação no mar

Bloco quer respaldo do Conselho de Segurança para conter fluxo imigratório

O Estado de S. Paulo

11 de maio de 2015 | 20h43

NOVA YORK, EUA - A União Europeia (UE) pediu nesta segunda-feira, 11, ao Conselho de Segurança da ONU que apoie seu plano para conter o fluxo mortífero de imigrantes no Mar Mediterrâneo desmantelando organizações de tráfico humano e destruindo seus navios. 

A chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, pediu à comunidade internacional que ajude o bloco a “salvar vidas” no mar, ainda que por meio de operações militares. 


No mês passado, líderes da União Europeia concordaram com um plano que consiste em “identificar, capturar e destruir barcos antes que eles sejam utilizados pelos traficantes”. No entanto, o plano não deixa claro como eles pretendem alcançar esse objetivo. O bloco espera obter uma autorização da ONU para respaldar o plano.

“Ninguém está falando em bombardear (os navios). Eu estou falando de uma operação naval”, declarou Federica após uma reunião a portas fechadas com os membros do Conselho. 

Segundo a diplomata, os ministros das Relações Exteriores europeus se reunirão na segunda-feira, 18, para discutir os detalhes da operação, que poderá contar com o apoio da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). 

De acordo com a agência Reuters, citando fontes diplomáticas, os membros europeus que integram atualmente o Conselho de Segurança, entre membros permanentes (Grã-Bretanha e França) e rotativos (Lituânia e Espanha), estão elaborando uma resolução para respaldar o plano. O texto invocará o Capítulo 7 da Carta da ONU, que autoriza o uso da força. 

Segundo as fontes citadas pela agência, a resolução autorizaria a UE intervir em alto-mar, nas águas territoriais e áreas da costa líbia para cercar navios. A maior parte dos imigrantes que tentam chegar à Europa sai da Líbia. 

O texto deve passar pelos 15 membros do Conselho nos próximos dias. A Rússia, um dos cinco membros permanentes e com direito de veto no Conselho, vem dizendo que qualquer plano para destruir barcos de contrabandistas iria “longe demais”. 

No entanto, Federica tem afirmado que suas discussões com os integrantes do Conselho têm sido positivas e ela está “bastante confiante” de que a resolução será adotada. 

“A coisa crucial para a União Europeia é destruir o modelo de negócio das organizações de tráfico e contrabando, certificando-se de que essas embarcações não serão usadas novamente”, disse Federica. “Eles vendem esperança, mas entregam a morte.” 

Cerca de 1,8 mil imigrantes morreram no Mediterrâneo só este ano, segundo a agência de refugiados da ONU. Pelo menos 51 mil entraram na Europa pelo mar e, desses, 30,5 mil via Itália, fugindo da guerra e da pobreza na Ásia, na África e no Oriente Médio. 

Cotas. Ainda ontem, em Portugal, um grupo formado por todos os presidentes de Parlamento da União Europeia e de países árabes do Mediterrâneo pediram que a Europa receba mais refugiados. 

Os parlamentares de mais de 30 países, em um encontro em Lisboa, pediram a ampliação de cotas de imigrantes recebidos a todos os membros da UE para tentar lidar com o grande fluxo de pessoas que têm cruzado o Mediterrâneo. 

Amanhã, uma comissão executiva da UE proporá um plano para o problema, que tem se agravado continuamente. No entanto, membros do bloco como Hungria, Eslováquia e Estônia, já disseram que se opõem a um sistema de cotas. 

Os parlamentares em Lisboa também pediram às autoridades europeias que abram mais canais emergenciais para os imigrantes que chegam ao continente e facilitem os trâmites legais nas instituições europeias para responder ao problema. / REUTERS, AFP e AP 

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