Na prática, australiano está preso e sua sentença é ilimitada

Cenário: John F. Burns / NYT

O Estado de S.Paulo

18 de agosto de 2012 | 03h01

Na existência oculta que Julian Assange adotou enquanto fundador do WikiLeaks, ele criou um estilo de vida de dormir em sofás emprestados e promover uma lenda de si mesmo como um homem sem um lugar ou um país para chamar de lar. Após a decisão do Equador de conceder-lhe asilo político e a promessa do governo britânico de prendê-lo assim que ele puser os pés para fora do santuário que encontrou na embaixada equatoriana em Londres, o australiano parece ter assegurado um endereço fixo - que, considerando o impasse diplomático e a veemência da opinião dos países envolvidos, pode ser sua casa por meses ou até anos, se nem Equador nem Grã-Bretanha cederem.

O endereço - o número 3 da Hans Crescent - encontra-se no coração do exclusivo bairro londrino de Knightsbridge. A menos de 50 metros do abrigo de Assange fica a seção de roupas masculinas da loja de departamentos Harrods, um dos lugares mais caros para fazer compras na Europa.

Exceto por todas as suas atrações - negadas a ele, de qualquer modo, pelo seu confinamento à embaixada -, dificilmente seria o santuário que Assange teria escolhido. Em sua visão, ele foi o inigualável pioneiro de um movimento destinado a transcender as fronteiras das nacionalidades, dos costumes e das leis, usando o WikiLeaks para destruir as paredes do sigilo e promover uma nova era de transparência global.

A palavra que ele tem usado mais que qualquer outra é "livre". A situação em que ele se encontra agora, porém, é semelhante a uma prisão refinada, com uma sentença ilimitada. Seu quarto é um escritório com um colchão de ar no chão e uma janela para olhar na direção dos distantes aeroportos de Londres e pensar na possibilidade de um voo para o Equador, um dos poucos países onde ele poderia estar além do alcance da Interpol. Por enquanto, esse voo bem pode estar a 1 milhão de quilômetros de distância, já que entre 20 e 30 agentes da Scotland Yard mantêm uma vigília de 24 horas por dia na embaixada.

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