AP Photo/Peter Dejong
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Na pressa para deixar Bruxelas, europeus gastam pequenas fortunas em táxi

Todos os transportes públicos da região de Bruxelas foram paralisados no fim da manhã, quando o governo belga elevou o alerta de segurança contra terrorismo

RENATO MACHADO - especial para o Estado / BRUXELAS , O Estado de S. Paulo

22 de março de 2016 | 16h18

A pressa para deixar Bruxelas, após os atentados terroristas desta terça-feira, 22, e a falta de outras opções de transporte levaram muitas pessoas a gastar muito dinheiro em seus trajetos. Alguns escolheram tomar um táxi para deixar a capital belga com destino a outras cidades do país ou até para a Holanda e a França.

Todos os transportes públicos da região de Bruxelas foram paralisados no fim da manhã, quando o governo belga elevou o alerta de segurança contra terrorismo. Com os voos cancelados, sem trens regionais e internacionais e sem metrô, muitos usuários que estavam na estação recorreram aos serviços de táxi. 

“Meus colegas que começaram a trabalhar de manhã deram mais sorte do que eu. Alguns ainda estão voltando de Paris e Amsterdã”, afirma o taxista Karim Bouzid. Mas ele prório não reclama porque realizou o dobro de viagens em comparação a um dia comum. “Mas claro que nós também estamos correndo riscos”. 

Os organizadores dos táxis no entorno da Gare du Midi afirmam que uma viagem de Bruxelas para Paris pode custar a partir de € 500. “Mas nós permitimos que alguns passageiros se juntassem para compartilhar a viagem. Aí esse valor acabava dividido por quatro”, afirma Fouad Reda. 

Por outro lado, as corridas dentro da cidade eram evitadas a todo custo. Os taxistas explicavam para os passageiros que os principais túneis da cidade estavam fechados, o que provocava grandes congestionamentos. “Em direção ao centro, não vale a pena nem para nós e nem para os passageiros. Ficaremos todos parados no congestionamento”, afirmou o taxista Jean Gomez. Em contrapartida, ele fez duas viagens mais longas, para as cidades belgas de Ternat e Linkebeek. 

O turista brasileiro Márcio Alvarez optou por seguir a pé com sua mala, mesmo sabendo que a caminhada levaria mais de uma hora. “Meu hotel é perto da Gard du Nord, então os taxistas falaram que não dá pra chegar em razão do trânsito, contou. “O resto do meu grupo está lá atrás tentando convencer algum taxista, mas eu vim na frente”, completou, com bom-humor. 

Ao lado da Gare du Midi também costumam parar ônibus de turismo que fazem os trajetos para outras capitais europeias – como os fretados brasileiros. Algumas pessoas, sem saber que os lugares já estavam determinados, tentavam convencer os motoristas a venderem bilhetes naquele momento.   

Volta para casa.  A partir das 16h (horário local), três das principais estações ferroviárias da capital foram reabertas: Gare du Midi, Gare du Nord e Bruxelles-Central. Em algumas delas, a abertura era parcial, a passagem ocorria por meio de poucas portas, e havia controle policial e militar para entrar na estação. Por isso muitas filas se formavam e pessoas com expressões angustiadas queriam entrar logo para não correr riscos.  

Outras modalidades de transporte, no entanto, continuavam totalmente paralisadas, como parte dos trens regionais e internacionais, ônibus municipais e regionais, além do Metrô e dos trams (bondes).

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