Na rede, países são criticados por ''omissão''

Além da rede de dissidentes dentro e fora da Síria, ONGs e governos também usaram a internet como instrumento de pressão política, em meio ao embate nas Nações Unidas sobre o caso sírio ao longo da semana passada.

Roberto Simon, O Estado de S.Paulo

07 de agosto de 2011 | 00h00

Na segunda-feira, a Anistia Internacional lançou uma campanha online na qual o internauta podia enviar mensagens de protesto aos chanceleres de Brasil, Índia e África do Sul - países que se juntaram a China e Rússia no Conselho de Segurança contra uma medida condenando Damasco. A posição dos emergentes, acusou a ONG, era "vergonhosa". A aprovação da declaração presidencial na ONU fez a Anistia mudar o tom e elogiar os três países.

"Realmente creio que campanhas como a nossa têm um impacto e podem influenciar governos", diz Christoph Koettl, que coordenou a ofensiva virtual. No entanto, ele afirma que é perigoso "superestimar" o poder da ação na rede, sob pena de isolar a campanha do mundo real. "É preciso que ela esteja ligada a outras atividades de pressão, como contato direto com autoridades e protestos de rua. Governos são sensíveis à opinião pública."

A Human Rights Watch manteve no ar uma página sobre o andamento das negociações em Nova York. A ONG, que havia criticado o Itamaraty, no fim publicou uma carta elogiando a missão a Damasco dos governos indiano, sul-africano e brasileiro.

Diplomacia online. A crise síria mostrou também que as chancelarias estão cada vez mais ativas na internet. Na quarta-feira, no auge da tensão no Conselho de Segurança, o Itamaraty rebateu acusações de omissão feitas por tuiteiros. Em resposta, a diplomacia brasileira colocou o link da nota em que condenava o massacre de Hama, quando mais de 80 civis foram mortos.

Pouco após o chanceler Antonio Patriota anunciar a jornalistas em Brasília que o Brasil "não se oporia" a uma resolução da ONU criticando Damasco, a íntegra da entrevista coletiva apareceu no canal do Itamaraty no YouTube.

A missão francesa na ONU, que tem seu próprio site, atualizava as informações sobre os debates e foi a primeira a postar a declaração presidencial aprovada na quarta-feira. Menos de duas horas após os 15 países assinarem o documento, a página da delegação americana nas Nações Unidas já trazia a transcrição da conversa que a embaixadora Susan Rice tivera com jornalistas, celebrando o acordo.

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