EFE|David Fernández
EFE|David Fernández

Na reta final, Scioli se afasta de Cristina

Candidato da presidente argentina à sucessão busca votos de eleitores que rejeitam ‘madrinha’

Rodrigo Cavalheiro, CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

18 de novembro de 2015 | 22h40

Quando a campanha argentina terminar hoje, o candidato governista à presidência, Daniel Scioli, descansará de uma maratona para atrair eleitores moderados que possam reverter um quadro favorável a seu rival, Mauricio Macri. As viagens a seis províncias em quatro dias foram uma das frentes em que apostaram seus assessores. A outra foi manter calada a presidente Cristina Kirchner, cujo discurso afasta o eleitor médio.

O alvo central dos dois concorrentes é o peronista desiludido com o kirchnerismo que optou no primeiro turno por Sergio Massa, que ficou em terceiro na disputa. São 5,2 milhões de votos (23,1% do total). Scioli obteve 37%, ante 34,1% de Macri, resultado apertado que inverteu a expectativa de vitória.

O conservador aparece com vantagem de 3 a 10 pontos nas pesquisas divulgadas durante a campanha do segundo turno. Embora os levantamentos apostem com unanimidade em Macri, a maior parte dos institutos registrou uma recente queda leve na diferença entre os dois.

“Desde o debate, a equipe de Scioli rompeu o cordão umbilical com a figura da presidente. Se houvesse mais tempo, sua chance reverter o quadro seria maior”, diz a analista política e consultora Analía del Franco. Cristina tem aprovação média de 40%, alta para um líder ao fim de dois mandatos. A dificuldade de seu candidato é buscar votos fora desse grupo.

Durante três dias, a equipe de Scioli e o próprio puderam manter as opiniões de Cristina sobre o debate de domingo encerradas na Casa Rosada e em Olivos, sua residência oficial. Esse silêncio público só foi rompido ontem à noite, pelo Twitter, para rechaçar a operação comandada pela polícia no Banco Central, em uma investigação por fraude contra seu presidente Alejandro Vanoli.

O presidente do BC é acusado de autorizar a venda de “dólar futuro” em contratos estimados em US$ 12 bilhões, volume superior ao usual. A Argentina tem vendido a moeda americana a 10,65 pesos, para entrega em março de 2016, com o objetivo de aliviar a demanda. Nos EUA, empresas fazem a troca por cerca de 14 pesos, valor médio da moeda no mercado paralelo, obtendo lucro.

Desde 2011, a Argentina controla o câmbio, o que Macri promete mudar no primeiro dia de governo. O país tem reservas US$ 25,9 bilhões, consideradas baixas por analistas. Scioli acusa o rival de preparar uma desvalorização que afetaria o poder de compra e faria disparar a inflação. Scioli propõe abrir o mercado cambial gradualmente, após recuperar as reservas.

Cristina cancelou duas aparições públicas, previstas para esta quinta-feira e amanhã. Na campanha governista, acreditam ser reflexo de sua tentativa de persuadir a presidente de que neste momento é melhor ela não aparecer, por duas razões.

A primeira é que parte dos eleitores com voto não consolidado que rejeitam Macri querem ter certeza de que Scioli governaria – e não o kirchnerismo. Outra parcela está cansada do estilo de confronto adotado por ela no governo, além de estar cansada de suas aparições na televisões

Macri optou por uma estratégia diferente do rival. Dedicou a maior parte de suas últimas horas de campanha a entrevistas nos meios de comunicação locais. Ele faz seu último comício hoje em Jujuy, norte do país. O de Scioli será em Mar de Plata.

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