REUTERS/Mariana Bazo
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Na reta final, vantagem de Keiko Fujimori cai

Em pesquisa do instituto CPI obtida pelo ‘Estado’, intenção de voto na filha do ex-presidente peruano para o 2.º turno diminui de 10 para 3,2 pontos

Luiz Raatz, Enviado Especial / Lima, O Estado de S. Paulo

03 Junho 2016 | 05h00

Na reta final do segundo turno das eleições peruanas, o candidato centrista Pedro Pablo Kuczynski tem conseguido diminuir a vantagem de Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, indica uma pesquisa de opinião realizada esta semana pelo Instituto CPI e obtida pelo Estado

Segundo o levantamento, a vantagem de Keiko é de 3,2 pontos porcentuais no universo de votos válidos: 51,1% a 47,9%, um pouco acima da margem de erro de 2,3 pontos. 

O levantamento anterior publicado pelo CPI, no domingo, indicava Keiko com 54,8% dos votos e Kuczynski 45,2%, uma vantagem de quase 10 pontos, excluídos brancos, nulos e indecisos, que somam 5%. 

Segundo o gerente-geral do CPI, Manuel Saavedra, o debate do último domingo, a mobilização de antifujimoristas na terça-feira e uma forte campanha a favor de Kuczynski nos meios de comunicação e nas redes sociais impulsionaram a candidatura do economista, mas é impossível fazer um prognóstico para a eleição de domingo. 

“PPK (como Kuczynski é conhecido no país) foi bem no debate e ganhou o voto de eleitores que antes estavam indecisos”, disse Saavedra ao Estado. “Apesar disso, é preciso ponderar que as perguntas foram feitas na terça e na quarta-feira – o ápice da mobilização contra Keiko. E PPK tem recebido cobertura favorável nos meios de comunicação de massa.”

A divulgação de pesquisas de intenção de voto já está proibida no país pela legislação eleitoral, mas veículos da imprensa internacional podem ter acesso aos números. Foram ouvidas, ainda de acordo com ele, 1.815 pessoas em todo o país.

Encerramento. Nesta quinta-feira, ambos os candidatos fariam comícios de encerramento de campanha. PPK discursaria em Arequipa, no sul do país, enquanto Keiko participaria de um evento na periferia de Lima. Na noite de quarta-feira (madrugada de ontem no Brasil), Kuczynski fez seu último comício na capital peruana, no qual adotou parte do discurso de linha dura contra a criminalidade usado pela filha de Fujimori.

Ele também aproveitou o evento, com cerca de 2 mil partidários, para atacar a rival. “Não queremos um narcoestado que vai acabar matando a todos nós.” Apesar das críticas, Kuczynski incorporou parte do tom da filha do ex-presidente em suas promessas de combate à violência. 

Nesta quinta-feira, antes do comício de encerramento de campanha em Lima, a candidata voltou a ironizar as propostas de PPK para o combate à violência urbana. “Ele não tem pulso firme para lutar contra a delinquência”, disse Keiko em uma reunião com líderes comunitários na Província de Callao.

“No primeiro turno, Keiko evitou a linguagem mais agressiva porque liderava as pesquisas e os rivais brigavam entre si, mas agora precisa ganhar e seus assessores a orientaram a optar por um discurso mais próximo do fujimorismo clássico”, disse à reportagem o cientista político Eduardo Dargent.

No comício de quarta-feira em Lima, PPK contou com a ajuda de Monica Sánchez, conhecida atriz de novelas peruanas que apoia sua campanha. À multidão, ela fez alertas sobre os riscos das propostas de Keiko para a segurança pública. “Autoridade se exerce com amor, não com medo”, discursou. “Não quero que combater a violência seja colocar o Exército na rua.” 

Na saída do comício, eleitores de Kuczynski se diziam confiantes. “Todo mundo sabe que o dinheiro de Keiko vem das minas que explora ilegalmente”, disse o ajudante de obras Fernando Torres Díaz. “PPK pelo menos já é rico e não precisa roubar.


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