Na reta final da campanha colombiana, Santos enfrenta greve de professores

Presidente colombiano, candidato à reeleição no dia 25, tenta conter danos de paralisação que deixa 9 milhões sem aula

EFE e REUTERS, O Estado de S.Paulo

15 Maio 2014 | 02h03

BOGOTÁ - Uma greve de professores iniciada ontem deixou ao menos 9 milhões de alunos sem aulas na Colômbia, a pouco mais de uma semana do primeiro turno das eleições presidenciais nas quais o presidente Juan Manuel Santos tentará a reeleição. Segundo o governo, o sindicato dos professores tinha desistido da greve após um acordo feito na noite de terça-feira. Os professores dizem não receber atenção do Executivo.

"Fomos dormir com um acordo da comissão negociadora (do sindicato) com o Ministério", disse a ministra da Educação María Fernanda Campo. "Com muita surpresa, pela manhã, o comitê disse que não reconhecia os acordos fechados ontem (terça-feira)."

A greve de professores se soma à de pequenos produtores rurais e a outros problemas que têm abalado a campanha de Santos na reta final da eleição. Entre eles, denúncias de vínculo de seu chefe de campanha com narcotraficantes e a polêmica sobre a concessão de anistia a membros da guerrilha Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), em meio a uma complexa negociação de paz que se desenrola em Cuba.

A Federação Colombiana de Trabalhadores de Educação (Fecode) pediu ontem uma saída para o "conflito trabalhista". Segundo o presidente da Fecode, Luis Grubert, mais de 334 mil professores participam da paralisação. Os docentes pedem, além de um reajuste salarial, um plano de saúde melhor e um plano de carreira.

"Houve, sim, progressos com o Executivo, ministros da Fazenda, do Trabalho e da Educação, mas o que temos ainda é um rascunho impreciso e não sabemos se o governo fugirá de suas responsabilidades como já fez anteriormente", disse Grubert.

Segundo o líder sindical, o plano de carreira é o ponto mais complicado da negociação. "Pedimos que a atual avaliação seja suspensa. Esse é um ponto inegociável", afirmou. Ainda de acordo com Grubert, a duração da greve depende do avanço nas negociações. "Esperamos uma solução rápida e seguimos dialogando", disse. A ministra da Educação também reiterou a disposição do governo em seguir negociando.

No fim de semana, os pequenos agricultores suspenderam os piquetes e bloqueios de estradas depois de Santos se comprometer a atender demandas como o refinanciamento de dívidas, descontos no preço de fertilizantes e compras mínimas de colheitas pelo Estado.

De acordo com analistas, alguns setores aproveitam o mau momento de Santos na campanha para pressionar o governo e obter avanços em suas reivindicações.

O presidente é favorito à reeleição, mas tem perdido espaço nas pesquisas de opinião para o candidato do ex-presidente Alvaro Uribe, Óscar Ivan Zuluaga.

Críticas. Uribe, que diz ter provas sobre um suposto caso de corrupção envolvendo um dos assessores de Santos, criticou o presidente por aumentar o salário de policiais e soldados às vésperas da eleição. "O presidente se esqueceu da polícia e dos soldados nos últimos quatro anos e na hora do desespero eleitoral lhes oferece aumento", disse.

O ex-presidente ainda acusou seu sucessor, a quem apoiou nas eleições de 2010, de fugir de debates com seu afilhado político. "O presidente foge de todos os debates e agora diz que é Zuluaga quem está fugindo?", disse Uribe.

O ex-presidente negou-se ontem a entregar as supostas provas que diz ter contra um assessor de Santos acusado de corrupção. A Procuradoria-Geral da Colômbia convocou-o novamente para que as apresente.

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