Na reta final, Mitt Romney ganha autoconfiança

Cenário: A. Parker e M. Barbaro / NYT

O Estado de S.Paulo

06 de novembro de 2012 | 02h09

Nos últimos dias frenéticos de uma campanha eleitoral que foi uma verdadeira montanha russa iniciada há dois anos, Mitt Romney, o candidato republicano, chegou a um momento estranho e nada familiar. O prêmio político que escapou de suas mãos em 2008, e de seu pai, George, quarenta anos antes dele, de repente estava perto, numa espera torturante, apesar de tudo: uma primária feia e aparentemente sem fim, ataques constantes dos democratas à empresa de private equity que ele fundou, uma viagem ao exterior mal preparada e, com certa frequência, algumas gafes.

Todos os que estavam ao seu redor, assessores que há apenas um mês procuravam encontrar coragem para encarar uma derrota, murmurando que na realidade eles nunca haviam pensado em conseguir um emprego na Casa Branca, agora se permitiam ficar imaginando como seria a vida em Washington. E o seu chefe fazia o mesmo.

Num comício na sexta-feira, em Ohio, Romney falou para mais de 20 mil cidadãos que o aplaudiam, enquanto seus cinco filhos estavam sentados ao lado do palco, enrolados em cobertores vermelhos ou azuis com o slogan da campanha. "Esta noite entramos no último final de semana da campanha", disse Romney em West Chester. "Nos comícios de Obama, as pessoas falam: 'Mais quatro anos'. Nós temos um slogan diferente, é claro. Qual é?" A multidão gritou: "Quatro dias! Quatro dias!" "Exato", disse Romney.

Antes de prosseguir, optou por mudar o discurso preparado no teleprompter. "Quero ajudar as centenas de milhares de sonhadores", dizia o texto. "E ajudarei". A mudança foi sutil: "Quando for presidente, eu ajudarei", disse, alterando a voz.

Ele quis transmitir uma mensagem para o encerramento da campanha que destacasse seus planos para o "Day One" na Casa Branca - uma frase que começou a aparecer em seus cartazes e nos palcos e em seu discurso de campanha. Particularmente, nas conversas com os membros de sua equipe, ele começou a fazer referências a "janeiro", quando segundo ele, começaria a governar.

No seu avião, reservava pouco tempo às conversas. "Ele vai diretamente para o seu lugar, pega o seu iPad e começa a trabalhar", observou Kevin Madden, um dos seus principais conselheiros.

Fazia questão de falar com a esposa, Ann - que tinha seu cronograma independente, ligeiramente menos exigente de comícios e encontros - todos os dias, mesmo que rapidamente, no avião logo antes da decolagem, em seu veículo utilitário-esportivo entre um evento e outro ou à noite no quarto de hotel. Aos domingos, ele falava com cada um dos cinco filhos.

No sábado, quis a presença de todos os principais assessores, que permaneceram com ele nas últimas 72 horas de campanha. Muitos deles trabalharam com ele desde o Palácio do governo em Massachusetts, e ele os queria perto de si.

No fim de semana, ele pegou o iPad e começou a gravar, sem que eles percebessem, vídeos dos assessores dormindo em seus assentos. Enquanto ele se movia pela cabine, rindo silenciosamente, parecia compreender que hoje, ganhe ou perca, esse capítulo de sua vida se encerrará. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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