Na Síria, Exército tenta retomar Hama e deixa 11 mortos

As forças de segurança e homens armados leais ao regime mataram 11 pessoas hoje na cidade síria de Hama, em meio a um levante contra o autocrata presidente Bashar al-Assad, segundo informações de ativistas.

AE, Agência Estado

05 de julho de 2011 | 15h35

Moradores de Hama queimaram pneus, fizeram barreiras com areia e criaram outros obstáculos para bloquear o avanço dos militares, disse Rami Abdul-Rahman, diretor do Observatório Sírio pelos Direitos Humanos, sediado em Londres. "Há um desafio civil aberto em Hama", afirmou. "Há um tipo de determinação em não se submeter a quaisquer tanques ou veículos militares."

Segundo o ativista, 11 mortes foram confirmadas por médicos e testemunhas hoje e outras 35 pessoas ficaram feridas. Ontem, as forças de segurança fecharam Hama e bloquearam rodovias que levam à cidade. Há um mês, as tropas haviam se retirado da região, e na semana passada 300 mil pessoas protestaram contra o regime.

Assad enfrenta o maior desafio em quatro décadas de ditadura da sua família na Síria. Ativistas afirmam que as forças de segurança já mataram mais de 1,4 mil pessoas desde meados de março. O regime contesta os números.

A Síria expulsou quase toda a mídia estrangeira e restringiu a cobertura da imprensa, impossibilitando um acompanhamento independente dos conflitos. Cerca de 10 mil sírios já fugiram para a Turquia em meio à repressão.

EUA

Também hoje, os Estados Unidos pediram que a Síria retire suas forças de Hama. "Nós pedimos ao governo da Síria que acabe imediatamente com sua campanha de intimidação e prisões, retire suas forças de Hama e de outras cidades e permita que os sírios expressem suas opiniões livremente, para que possa ocorrer uma transição genuína para a democracia", afirmou uma porta-voz do Departamento de Estado, Victoria Nuland.

Segundo ela, Washington está "muito preocupado com os atuais ataques contra manifestantes pacíficos na Síria". "O governo da Síria alega que está interessado no diálogo e ao mesmo tempo ataca e envia forças para Hama, onde os manifestantes são pacíficos", notou a porta-voz. As informações são da Associated Press e da Dow Jones.

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