Na Síria, forças de segurança matam 16 manifestantes

Ativistas relataram que as forças de segurança sírias mataram hoje pelo menos 16 pessoas, dentre elas um adolescente, no dia em que milhares de pessoas foram às ruas de todo o país para pedir a queda do regime do autocrático presidente Bashar Assad. Os protestos tiveram início horas depois de as tropas sírias, apoiadas por tanques e helicópteros, terem tomado o controle, nesta manhã, de outra cidade do noroeste do país, após um cerco de dez dias.

AE, Agência Estado

17 de junho de 2011 | 12h35

As manifestações também se espalharam para o vizinho Líbano. Um graduado integrante de um partido político libanês, aliado à Síria, foi morto hoje depois que homens armados abriram fogo e jogaram uma granada perto de centenas de pessoas que realizavam um protestos contra Assad no norte libanês, disse um integrante das forças de segurança em Beirute. Também foram divulgadas novas denúncias de homicídios indiscriminados e execuções sumárias pelo regime de Damasco, que busca suprimir um movimento pela democracia.

Milhares de pessoas foram às ruas no noroeste do país contra o governo do presidente Bashar Assad, em meio aos protestos que duram três meses. Ao mesmo tempo, muitas tropas tomaram Maaret al-Numan, cidade a 45 quilômetros da fronteira turca, informou o ativista Mustafa Osso. Segundo ele, as forças estavam agora seguindo para Khan Sheikhon, mais ao sul, onde homens armados atacaram militares mais cedo neste mês.

Omar Idilbi, do grupo Comitês de Coordenação Local, que documenta os protestos, informou que o governo tomou o controle de Maaret al-Numan, cidade de 100 mil habitantes na estrada que liga Damasco à segunda cidade síria, Alepo. Muitos moradores fugiram, enquanto as tropas avançavam pela província de Idlib nas últimos dias. Não há ainda informações sobre mortes.

Desde o início dos protestos, em meados de abril, Assad lançou uma operação militar na região para sufocar as marchas. Ativistas dizem que mais de 1.400 pessoas morreram e 10 mil foram presas. Outras 9.600 do noroeste do país cruzaram a fronteira e estão em campos de refugiados na vizinha Turquia.

No nordeste, cerca de 2 mil pessoas marcharam brevemente pedindo a queda do regime nas cidades de Amouda e Qamishli, após o fim das preces muçulmanas da sexta-feira, segundo o grupo Comitês de Coordenação Local. O governo atribui os distúrbios a uma conspiração estrangeira, dizendo que extremistas religiosos estão por trás das marchas. Lideranças militares afirmaram que é preciso retirar "terroristas armados" do noroeste sírio. As informações são da Associated Press.

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