AP Photo/Javier Galeano
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Na transição de Cuba, onde estão os filhos de Fidel e Raúl Castro?

Herdeiros da dinastia dos Castros não participaram da nova fase política da ilha e continuam à margem do processo de transição

Adam Taylor, THE WASHINGTON POST, O Estado de S.Paulo

21 Abril 2018 | 05h00

Esta semana, Cuba entrou em uma nova era pós-Castro. Por 59 anos, o país foi liderado diretamente por dois membros de uma família. Primeiro, havia Fidel Castro, o revolucionário carismático mas muitas vezes impiedoso que foi primeiro-ministro entre 1959 e 1986 e depois presidente até 2008. Depois que Fidel se afastou, seu irmão mais novo e fiel aliado, Raúl Castro, assumiu.

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Na quinta-feira, Raúl Castro, de 86 anos, deixou o cargo de chefe do Conselho de Estado de Cuba, cargo que efetivamente atua como presidente da ilha. Havia apenas um candidato para sucedê-lo: Miguel Díaz-Canel, um civil não de 58 anos de idade.

Esse é o fim da dinastia que controla Cuba há décadas? Provavelmente não. Muitos críticos afirmam que Raul, que permanecerá como chefe do Partido Comunista até que seu mandato termine, em 2021, vai manter o poder real. Mas é notável que a próxima geração da dinastia - as crianças castristas - não esteja oficialmente se apossando dos reinados.

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Muitas dinastias políticas operam com base na linhagem de sangue. Um exemplo óbvio é a Coreia do Norte, outro país pequeno, ainda comunista, que emergiu como um estado separado na mesma época em que a Revolução Cubana impulsionou os  Castros ao poder. A dinastia Kim,  fundada pelo Kim Il Sung, mantém o poder há três gerações. Não há sinais de que será abandonada em breve.

E se a passagem de poder de geração em geração é comum nas autocracias, também não é algo inédito nas democracias. Mesmo nos Estados Unidos, o poder político pode passar através de gerações. Duas gerações da família Bush mantiveram a presidência no espaço de duas décadas. Certamente, outro presidente Trump não está fora do campo de possibilidades para os Estados Unidos do futuro.

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Raúl Castro tinha opção de escolher seu sucessor - ele havia descrito abertamente Díaz-Canel como alguém escolhdio por ele, a dedo. “Sua eleição não é por acaso", disse Castro. Mas Raúl não escolheu um Castro, embora houvesse muitos para escolher. Embora os detalhes sobre a família sejam mantidos em segredo, acredita-se que Fidel tinha 11 filhos. Raúl tem quatro. 

Alguns dos Castros mais jovens são obviamente inadequados para o trabalho. O único filho de Fidel de seu primeiro casamento, também chamado Fidel, mas popularmente conhecido pelo diminutivo “Fidelito”, já foi encarregado do programa nuclear de Cuba. Ele foi retirado de muitos cargos do governo em 1992, depois de se desentender com o pai, que teria acusado o filho de “incompetência”. Fidelito se matou no começo do ano.

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Outra criança de destaque era Alina Fernández, filha de um caso entre Fidel e uma socialite cubana, que fugiu de Cuba em 1993 e se tornou uma crítica contumaz do governo cubano. Dos filhos conhecidos de Fidel de sua segunda esposa, a maioria sempre tentou evitar os holofotes: um dos filhos era fotógrafo estatal; outro trabalhou com a Federação Cubana de Beisebol; e outro se tornou um cientista da computação. Nenhum parece ter ambições políticas.

Os filhos de Raúl são mais politicamente ativos. Uma filha, Mariela Castro, é uma ativa defensora da prevenção da AIDS e dos direitos LGBT e integrante da Assembléia Nacional de Cuba. Seu irmão, Alejandro Castro Espín, dirige os serviços de contrainteligência de Cuba e ajudou a negociar secretamente com o governo Obama. 

Não se pode esquecer o general Luis Alberto Rodríguez López-Callejas, ex-genro de Raúl, que ocupa uma posição de destaque no comando do exército cubano.

Esta geração mais jovem pode vir a desempenhar um papel nos bastidores em Cuba. Mas a família Castro também tem uma história de divisão política: a irmã mais velha de Raúl e Fidel, Juanita Castro, desertou de Cuba em 1964 depois de colaborar com a CIA. A família da primeira esposa de Fidel CAstro, Mirt Diaz-Balart, tornou-se crítica proeminete do regime de Castro em Miami.

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Ao passar a presidência para Díaz-Canel, Raúl Castro enfatizou a “continuidade” como tema principal da troca de poder. O próprio Díaz-Canel disse que traria “continuidade à revolução cubana” e apenas faria avançar o socialismo cubano. Com a reputação de construtor de consenso, espera-se que ele siga em grande parte as reformas cautelosas de Raúl Castro. Se o plano atual se mantiver, Díaz-Canel terá uma posição poderosa na política cubana até 2031; primeiro como presidente por dois mandatos, depois como líder do Partido Comunista por dois mandatos.

Tal mudança pode estar de acordo com o que Fidel Castro desejaria. Quando Fidelito foi destituído de seu posto no governo em 1992, Fidel teria dito a um jornalista: “Qual é o problema? Não temos uma monarquia aqui”.

 

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