Na tumba da ama de Tutankamon, a primeira múmia de leão

Alguns tinham nomes como Matador de seus Inimigos e acompanhavam o faraó à batalha. Milhares foram caçados num ritual de bravura e força. Mas apenas um, ao que parece, serviu como guardião eterno. Um arqueólogo francês anunciou que a primeira descoberta de um leão preservado numa tumba do Egito antigo demonstra a reputação que gozava o rei dos animais há 3.000 anos.?Isto confirma o status do leão como um animal sagrado?, disse Alain Zivie num artigo da revista Nature que circula amanhã.A equipe de Zivie descobriu os restos mumificados do leão em 2001, quando escavava a tumba de Maia, ama-de-leite de Tutankamon, o faraó menino conhecido entre visitantes de museus por suas opulentas relíquias funerárias de ouro. Ele governou por 10 anos e morreu em cerca de 1323 A.C..As tumbas associadas à de Tutankamon estão localizadas no sul do Cairo, no sítio do cemitério Saggara, que sobe pelo Rio Nilo a partir de Mênfis, antiga primeira capital do Egito. Zivie encontrou a emerada tumba de Maia em 1996.Inscrições em egípcio antigo mencionam a criação e enterro de leões, mas nenhuma ossada de leão jamais foi achada, disse Zivie.O esqueleto completo e intocado do leão foi encontrado numa área da tumba dedicada à deusa gata Bastet, que também contém vastas quantidades de ossos humanos e animais, incluindo os de muitos gatos. Os ossos do leão não foram envolvidos em bandagens como nas múmias humanas. Mas a posição dos ossos, sua coloração e os depósitos minerais na superfície são similares a de outros gatos mumificados descobertos em Saggara.Zivie disse que as condições dos ossos e dentes sugerem que o leão viveu até uma idade avançada e foi mantido em cativeiro. Não se acredita que o leão tenha pertencido a Maia, mas que tenha sido colocado na tumba muito depois. Ele deve ter sido considerado uma encarnação do deus Mahes, o filho de Bastet, disse Zivie.Um egiptologista não ligado à descoberta disse que ela é uma importante adição ao conhecimento dos rituais antigos. Os arqueólogos já haviam encontrado, antes, vastos cemitérios de macacos, ibis, peixes, gatos, cães e crocodilos. Mumificar um animal grande como um leão deve ter sido um trabalho elaborado e caro.?Este não era um velho leão, mas um leão importante?, disse Emily Teeter, egiptologista da Universidade de Chicago..Mas para outros pesquisadores, a descoberta de Zivie não é tão clara assim. Robert Pickering, antropólogo legista do Buffalo Bob Historical Center, em Cody, Wyomming, não acha que o leão tenha realmente passado por um processo de mumificação, dada a ausência de faixas de linho e tecidos leves para preservação.?Parece que ele recebeu um tratamento diferente dos outros animais que eram enterrados como parte do ritual?, disse. ?Talvez o leão tenha tido importância como animal de estimação e não como a representação de um deus. O contexto não combina.?Caçadores exterminaram quase totalmente a população regional de leões por volta de 1100 A.C. Obras de arte comemorativas falam de como o faraó Amenhotep III matou mais de 100 durante uma única caçada. Ramsés, o Grande, entretanto, tinha um de estimação, chamado Matador de Seus Inimigos, lembrou Teeter.

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