Tolga Bozoglu/EFE
Tolga Bozoglu/EFE

Na Turquia, 6º dia de protestos deixa 2 mortos, mil feridos e 1,7 mil presos

Manifestações começaram em Istambul contra a reurbanização da principal praça da cidade, mas cresceram após a polícia reprimir com violência os manifestantes

Reuters

02 de junho de 2013 | 23h16

O sexto dia de protestos contra o governo turco registrou dois mortos, mais de mil feridos e 1,7 mil presos. Dezenas de milhares de pessoas saíram no domingo, dia 2 de junho, às ruas das quatro maiores cidades da Turquia e entraram em choque com a polícia - as manifestações são as mais violentas dos últimos anos.

O primeiro-ministro, Recep Tayyip Erdogan, acusou o principal partido de oposição de incitar os manifestantes e disse que os protestos pretendem prejudicar seu partido, o Justiça e Desenvolvimento (AKP), nas eleições do ano que vem.

Os protestos começaram há quase uma semana, mas se tornaram violentos a partir de sexta-feira, quando a polícia começou a reprimir os manifestantes. O estopim foi a reurbanização da Praça Taksim, principal de Istambul, mas as razões de fundo são sociais e econômicas.

Erdogan, que deve concorrer à reeleição nas eleições presidenciais em 2014, disse que os protestos têm caráter político e ideológico e pretendem minar sua candidatura no ano que vem.

O Partido Republicano do Povo (CHP), de oposição, nega envolvimento nos protestos e põe a culpa nas políticas de Erdogan. "As pessoas que estão saindo às ruas não são ligadas apenas ao CHP, mas a todas as ideologias e a todos os partidos", afirmou Mehmet Akif Hamzacebi, líder do partido. "Em vez de responsabilizar o CHP, Erdogan precisa tirar lições importantes do que ocorreu."

Em dez anos de poder, Erdogan revolucionou a Turquia, transformando um país assolado por problemas estruturais na economia que mais cresce na Europa. Não há nenhum líder político tão popular quanto ele no país, mas os críticos dizem que seu autoritarismo e conservadorismo religioso interferem de maneira excessiva na vida privada dos turcos.

Recentemente, a ampliação das restrições à venda de bebidas alcoólicas e as advertências contra as demonstrações públicas de afeto também provocaram protestos. O receio de que Erdogan esteja levando a Turquia a se envolver no conflito na Síria também está por trás das manifestações.

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