Telegram@Zheltyeslivy/Reuters TV/via Reuters
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Opositor aparece na TV estatal em Belarus após prisão e aliados falam em confissão forçada

Em um vídeo, Roman Protasevich afirma que está confessando, como foi acusado, ter organizado distúrbios em massa em Minsk 

Redação, O Estado de S.Paulo

24 de maio de 2021 | 16h47
Atualizado 25 de maio de 2021 | 17h53

MINSK - O jornalista opositor belarusso Roman Protasevich, detido em Minsk no domingo depois que o avião comercial em que viajava foi obrigado a aterrissar, apareceu em um vídeo divulgado por canais de TV estatais dizendo que está cooperando com investigadores. Ele afirma que está confessando, como foi acusado, ter organizado distúrbios em massa em Minsk. 

"As pessoas estão se comportando comigo de forma totalmente adequada e em total respeito à lei. Continuo colaborando com os investigadores e comecei a confessar sobre a organização de manifestações maciças", disse no vídeo, no qual aparece sentado em frente a uma mesa e dirige-se à câmera.

Em vários canais do aplicativo de mensagens Telegram, Protasevich aparece vestindo um moletom escuro e com as mãos firmemente cruzadas na frente dele. O jovem diz que está em uma prisão preventiva em Minsk e nega ter problemas cardíacos relatados por algumas redes sociais. Ele também parece ter uma pequena mancha preta na testa. 

Os comentários foram imediatamente rejeitados por seus aliados. Para eles, as declarações foram dadas sob coação. "É assim que Raman se apresenta sob pressão física e moral. Exijo a libertação imediata de Raman e de todos os prisioneiros políticos", escreveu no Twitter em inglês a líder da oposição belarussa, Svetlana Tikhanovskaya, usando a grafia belarussa do nome do jovem. 

No primeiro dia de uma Cúpula do Conselho Europeu, em Bruxelas, os líderes dos 27 países da União Europeia (UE) exigiram nesta segunda-feira de Belarus a libertação imediata do opositor e sua namorada, Sofia Sapega, segundo um porta-voz da entidade.

Pouso forçado

Protasevich, um jornalista de oposição que teve papel-chave nos protestos do ano passado, foi detido em Minsk, pouco depois do pouso do avião interceptado durante o voo para a Lituânia, junto da namorada. A passageiros que estavam no voo, ele disse temer por sua vida antes de ser levado por oficiais do serviço secreto belarusso. 

Quando o avião da Ryanair se aproximava do Aeroporto de Vilna, ainda em espaço aéreo bielorusso, foi orientado a desviar para Minsk em virtude de uma suposta ameaça de bomba. A aeronave foi escoltada por caças MIG-29 da Força Aérea. Nada foi encontrado a bordo. 

O presidente belarusso, Alexander Lukashenko, de 66 anos, enfrentou o maior desafio de seu governo de quase 27 anos quando manifestantes tomaram as ruas depois que ele foi declarado vencedor de uma eleição no ano passado. Opositores disseram que a eleição foi fraudada. 

Cerca de 35 mil pessoas foram detidas desde o início das manifestações regulares em agosto de 2020. Lukashenko nega fraude eleitoral e acusou o Ocidente de patrocinar os protestos./AFP e REUTERS 

 

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