Na TV, Mubarak resiste à pressão para renunciar e delega transição a vice

Ele se comprometeu a reformar a Constituição até as eleições; multidão reage enfurecida

estadão.com.br,

10 de fevereiro de 2011 | 18h47

 

Atualizada às 21h52

 

CAIRO - O ditador egípcio, Hosni Mubarak, resistiu mais uma vez a renunciar ao cargo. Ele foi à TV estatal para rebater rumores de que deixaria o poder. Ele se comprometeu a reformar a Constituição do país  e delegar alguns de seus poderes ao vice, Omar Suleiman, para coordenar a transição.  A multidão reunida na praça Tahrir protestando pela sua renúncia reagiu enfurecida. Os gritos de 'Fora!' e 'Ilegítimo!' tomaram o local. Após o pronunciamento, centenas de pessoas rumaram ao prédio da TV Estatal e ao palácio presidencial.

 

Veja também:

especialInfográfico: A lenta agonia de Hosni Mubarak

som TV Estadão: Veja imagens dos protestos na praça Tahrir

documento Artigo: De que lado está o Exército egípcio?

blog Radar Global: Personagens, curiosidades e análises da crise

 

O presidente fez um pronunciamento à nação em meio à forte pressão para que deixe o poder, que ocupa há 30 anos. Ele reiterou que não vai concorrer ao cargo nas próximas eleições e que o país caminha, dia após dia, para uma transferência de poder pacífica.Mubarak afirmou ainda que o diálogo com a oposição resultou num consenso preliminar para resolver a crise.

 

Mubarak transferiu todos os seus poderes efetivos para Suleiman, o que torna o ex-chefe de inteligência o presidente de facto do país. Assim, Suleiman é o chefe de Estado e tem os militares e o Ministério do Interior sob seu controle. Ele, porém, não tem poderes para dissolver o Parlamento ou fazer emendas à Constituição.

 

Era esperado que o presidente renunciasse após a cúpula do Exército dizer em comunicado que 'todos as demandas' dos manifestantes que há 17 dias ocupam as ruas do país. O presidente do Partido Nacional Democrático (PND), Hossan Badrawi, afirmou que 'esperava' que o ditador transferisse o cargo para Suleiman.

 

Minutos depois do pronunciamento de Mubarak, Suleiman foi à TV estatal para um pronunciamento. Ele pediu aos manifestantes que voltassem para casa e para o trabalho.  "Abrimos a porta para o diálogo. Chegamos a um acordo. Elaboramos um plano para atender a maioria das demandas. A porta ainda está aberta", disse.

 

"Estou comprometido a realizar o que for necessário para assegurar a transição pacífica de acordo com a Constituição. Vamos implementar todos os procedimentos que prometemos", acrescentou.

 

Leia mais:

linkObama pede mais clareza transição genuína no Egito

linkFúria toma egípcios após anúncio de Mubarak

linkLíderes mundiais seguem pedindo mudanças

Tudo o que sabemos sobre:
Protestos no EgitoEgitoHosni Mubarak

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.