Brendan Hoffman/The New York Times
Brendan Hoffman/The New York Times

Na Ucrânia, a mensagem é dúbia 

Desde 2014, mais de 13 mil ucranianos já morreram nesse que é o mais longo conflito na Europa desde a 2.ª Guerra

Renata Tranches, O Estado de S.Paulo

18 de agosto de 2019 | 05h00

Há mais de cinco anos, o presidente russo, Vladimir Putin, invadiu o leste Europeu e anexou a Crimeia. Europeus alinhados com o então governo Obama impuseram uma série de sanções econômicas a membros do governo e empresários russos. 

Desde 2014, mais de 13 mil ucranianos já morreram nesse que é o mais longo conflito na Europa desde a 2.ª Guerra. Segundo o professor de história e especialista em Leste Europeu da Universidade do Alabama (em Birmingham) George Liber, o presidente americano envia mensagens dúbias. 

Por um lado, explica, o Departamento de Estado, o Pentágono, a comunidade de inteligência nacional, a maioria bipartidária do Congresso e a ex-embaixadora dos EUA na ONU, Nikki Haley, manifestaram claro apoio à integridade territorial da Ucrânia. Mas Trump nunca manifestou apoio público a Kiev. “Ele acredita em grandes poderes políticos, não em princípios democráticos. Ele apoia grandes países, como a Federação Russa e a República Popular da China, em vez de Estados pequenos e fracos”, afirma Liber. 

A particularidade no caso da Ucrânia é que há mais continuidade à política de Obama do que em outros cenários, incluindo a venda de armamento militar para os independentistas em Kiev. Mas não há ações para encerrar o conflito. 

Liber, autor de vários livros sobre a Ucrânia, considera que os esforços do governo Putin para interferir nas eleições e favorecer Trump tinham como objetivo que as sanções econômicas impostas a Moscou fossem levantadas pelo republicano. Nos primeiros dias de sua administração, em 2017, Trump até tentou fazer isso, mas não conseguiu sem o apoio do Congresso. “Para Trump, seus interesses e de sua família parecem ser mais importantes do que apoiar os padrões de uma ordem internacional liberal estabelecida após 1945”.

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