Alex Brandon / AFP
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Na Ucrânia, Blinken alerta para iminente ataque russo na fronteira

Secretário de Estado dos EUA se reuniu com o presidente da Ucrânia antes de uma reunião, na sexta-feira, com o ministro das Relações Exteriores da Rússia

The New York Times, O Estado de S.Paulo

19 de janeiro de 2022 | 16h14

KYIV - Dois dias antes de uma reunião com o ministro das Relações Exteriores russo em Genebra, o secretário de Estado americano, Antony Blinken, disse nesta quarta-feira, 19, que a Rússia poderia atacar a Ucrânia a qualquer momento e alertou sobre confronto e consequências se o fizer.

Blinken fez as declarações enquanto falava com funcionários americanos na Embaixada dos EUA na capital ucraniana, onde desembarcou na manhã de quarta-feira na mais recente demonstração de apoio dos EUA ao governo do país em apuros.

A Rússia já está apoiando uma insurgência no leste da Ucrânia, e a decisão de Moscou de posicionar uma enorme força perto da fronteira leste do país foi uma fonte de enorme preocupação, disse Blinken.

“Sabemos que existem planos para aumentar ainda mais essa força em um prazo muito curto e isso dá ao presidente Putin a capacidade, também em um prazo muito curto, de tomar mais ações agressivas contra a Ucrânia”, disse ele.

Tanto o Kremlin quanto as autoridades americanas soaram pessimistas após uma terceira rodada de negociações sobre segurança do Leste Europeu na semana passada, com um diplomata russo dizendo que as negociações com o Ocidente estavam se aproximando de um "beco sem saída".

Nesse cenário, Blinken se encontrou pela manhã com o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, e mais tarde com seu ministro das Relações Exteriores, Dimitro Kuleba.

Não ficou claro se Blinken prometeu a eles novas medidas específicas de apoio para dissuadir Moscou ou para combater os militares russos no caso de uma invasão em grande escala, mas um funcionário do Departamento de Estado confirmou na quarta-feira que o governo Biden aprovou no mês passado uma ajuda adicional de US$ 200 milhões para a segurança defensiva para a Ucrânia.

Blinken deve se reunir com seu colega russo, Serguei V. Lavrov, na sexta-feira em Genebra. Autoridades dos EUA minimizaram as esperanças de qualquer avanço na reunião, que descreveram como uma oportunidade para testar se Moscou leva a sério as negociações. Mas a Casa Branca também disse na terça-feira que espera destacar que “há um caminho diplomático a seguir”.

A Rússia posicionou cerca de 100 mil soldados ao longo de sua fronteira ocidental com a Ucrânia, embora as estimativas precisas variem. Na terça-feira, a secretária de imprensa da Casa Branca, Jen Psaki, disse que “a Rússia pode, a qualquer momento, lançar um ataque na Ucrânia”.

Autoridades russas estão insistindo que os Estados Unidos forneçam uma resposta formal e escrita a um conjunto de demandas emitidas pelo Kremlin, que incluíam uma promessa legalmente vinculante da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) de nunca admitir a Ucrânia como membro.

Autoridades dos EUA não deram nenhuma indicação de que Blinken entregará tal documento a Lavrov.

Falando em um fórum em Moscou na quarta-feira, o vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei A.Ryabkov, repetiu a negação anterior de seu governo de que Moscou tenha planos de transferir suas forças para a Ucrânia.  

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