Na última hora, surgem as propostas dos candidatos

Cenário: Rodrigo Cavalheiro

O Estado de S.Paulo

30 de junho de 2012 | 03h04

O s candidatos à presidência do México, Enrique Peña Nieto, do Partido da Revolução Institucional (PRI), Manuel López Obrador (PRD) e Josefina Vásquez (PAN), foram criticados por analistas políticos durante os 90 dias de campanha. Teriam gasto mais tempo na TV e no rádio lembrando manchas do passado dos adversários do que apresentando propostas.

Agora, elas finalmente apareceram - muito embora não tenham nada a ver com propostas programáticas de governo, mas com outro tipo mais escuso de oferta. Desde quarta-feira, quando começou o período de silêncio que proíbe os candidatos de fazer campanha e divulgar pesquisas, multiplicam-se no Instituto Federal Eleitoral denúncias a respeito de propostas feitas aos eleitores em troca de voto.

E são criativas. Em vez das tradicionais cestas básicas, são cartões de supermercado com créditos de 1.000 pesos (R$ 300), bem mais discretos. Há também cartões de telefone com saldo de 50 pesos. Taxistas de Xalapa, capital do Estado de Veracruz, garantem que já acertaram seu preço. Eles ganharão 700 pesos (R$ 105) de um partido político para levar amanhã eleitores gratuitamente a seus locais de votação. Serão 350 pesos no início do dia e outros 350 ao final do serviço. Se quiserem vender seu voto, embolsarão 1.000 pesos a mais.

Durante o governo do PRI, que dominou o país por 71 anos e está há 12 na oposição na esfera nacional, comprar votos não era ilícito. O PRI definia o que era crime. Diante das acusações de que a volta do partido ao poder central seria um retrocesso para a democracia, Peña Nieto, favorito nesta eleição, garantiu que o PRI deixou as práticas coronelistas que marcaram sua atuação no passado.

Como não existe segundo turno, o país é marcado por definições eleitorais controvertidas. Na última, em 2006, López Obrador negou-se a admitir a derrota porque obteve cerca de 250 mil votos a menos (0,56%) do que o vencedor, Felipe Calderón.

O impasse espalhou o caos pelo México, até mesmo na capital, onde protestos travaram o trânsito já caótico. Uma nova decisão por margem apertada, com tantas propostas indecentes, pode desencadear novas tentativas de impugnação. E fazer a instabilidade política superar a das ruas.

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