REUTERS/Marco Bello
REUTERS/Marco Bello

Na Venezuela, aplicativos de pagamento prosperam em meio a crise

Com hiperinflação que pode chegar a 13.000% em 2018, desenvolvedores de programas para pagamento eletrônico lucram com a escassez de papel-moeda

O Estado de S.Paulo

16 Fevereiro 2018 | 20h30

CARACAS - Widerven Villegas e seu irmão lavam cerca de 30 carros por dia em um estacionamento em Caracas, na Venezuela. Apesar de cobrarem menos de 50 centavos, nenhum cliente paga em dinheiro. “Eu aceito transferências. Eu tenho Tpago, Vippo e quase todos os aplicativos”, disse Villegas, de 35 anos, com um tablet desgastado e um celular básico nas mãos. “Nós não lidamos com dinheiro porque nossos clientes não têm isso”, ele disse.

+ Sem comida, pais entregam filhos para adoção na Venezuela

Praticamente todos os venezuelanos usam aplicativos para fazer pagamentos por meio de celular ou tablets. Sem notas em circulação suficiente para dar conta de uma hiperinflação que pode chegar a 13.000% em 2018, segundo o Fundo Monetário Internacional, todos os comerciantes usam aplicativos para receber. 

Foi assim que pequenas empresas de tecnologia localizadas na Venezuela encontraram um filão para explorar e estão se dando bem em meio a crise. O Nekso, um programa de transporte individual similar ao Uber que permite pagamento via aplicativo, dobrou o número de atendimentos. O Vippo, para pagamento online, aumentou em 30 vezes o número de usuários. O Citywallet, nascido como um projeto-piloto para pagar estacionamentos, quadruplicou o total de usuários. 

O sucesso dos aplicativos deve aumentar em 2018. Cerca de 18 bancos venezuelanos privados lançaram no ano passado um aplicativo de pagamento eletrônico para consumidores. O Mercado Libre, a maior empresa de comércio online da América Latina, também oferece uma solução de pagamento local. 

+ Ex-procuradora da Venezuela diz que foi pressionada em caso de Leopoldo López

Até Nicolás Maduro entrou na onda ao lançar um código QR para ser incluído no cartão de identificação do bem-estar social do governo e anunciar planos de criação de uma moeda digital. “Talvez a nossa economia seja a primeira do mundo sem dinheiro, antes da Dinamarca”, ironizou Miguel León, um engenheiro eletrônico que ajudou a desenvolver o Vippo. / REUTERS

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.