Na Venezuela, ex-aliados pedem a renúncia de Chávez

Um grupo de ex-aliados do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, pediu ontem a renúncia dele, afirmando que o líder perdeu legitimidade. "Para afastar esse país de outros males, como os que ocorrem agora, nós formalmente pedimos que você renuncie", afirmou o grupo, chamado Polo Constitucional, em comunicado divulgado em jornais locais.

AE, Agencia Estado

02 de fevereiro de 2010 | 10h03

Os ex-aliados avaliam que, após 11 anos no poder, Chávez "perdeu legitimidade e capacidade de governar". Entre os que assinam o texto estão o ex-ministro das Relações Exteriores Luis Alfonso Dávila; o ex-ministro da Defesa Raúl Isaías Baduel; um dos mais importantes nomes que escreveram a Constituição do período Chávez, Hermann Escarra; e dois homens que apoiaram Chávez no fracassado golpe militar de 1992, Yoel Acosta e Jesus Urdaneta.

O documento acusa Chávez de ter um "modo autocrático, totalitário e autocentrado de governar". Além disso, critica os ataques verbais do presidente, que, na opinião do grupo, leva a um clima de "intolerância" e "ressentimento".

A Venezuela sofre com vários problemas, como a falta de água e eletricidade, alta criminalidade e corrupção. Para os signatários do comunicado, os problemas "acrescentam mais elementos para desqualificar Chávez como um líder".

O grupo pediu respeito aos direitos de propriedade privada e ao pluralismo político. Também afirma que as Forças Armadas e outras instituições estão "distorcidos pela incursão de elementos de fora", em uma referência a Cuba, um forte aliado regional de Chávez. O texto critica ainda a "centralização irresponsável" do poder sob Chávez.

Tentativa de desestabilizar

Nos últimos dias, o presidente venezuelano afirmou que os crescentes protestos no país são uma tentativa para desestabilizar seu governo. Chávez comparou a situação ao tumulto político que levou ao golpe contra ele, em 2002. Afastado do poder por alguns dias, Chávez conseguiu retomar o controle do país.

Em janeiro, dois estudantes foram mortos durante protestos ocorridos após a emissora de televisão RCTV, crítica ao governo, perder seu direito de transmitir. As informações são da Dow Jones.

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