Bloomberg photo by Carlos Becerra
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General de alto escalão da Força Aérea da Venezuela declara apoio a Guaidó

Em vídeo no Twitter, o general Francisco Yánez diz que 90% das Forças Armadas estão contra Maduro; ele é o primeiro militar de alto escalão, na ativa, a reconhecer Juan Guaidó e foi elogiado pelos EUA

Redação, O Estado de S.Paulo

02 de fevereiro de 2019 | 13h08
Atualizado 02 de fevereiro de 2019 | 21h32

CARACAS - O general da Força Aérea venezuelana Francisco Yánez anunciou neste sábado, 2, em um vídeo que não reconhecia mais a autoridade do presidente Nicolás Maduro e e se tornou o militar na ativa de mais alto escalão a reconhecer o autoproclamado mandatário interino Juan Guaidó

“Desconheço a autoridade ditatorial e autoritária de Nicolás Maduro”, disse Yánez, somando-se ao coronel José Luis Silva, agregado militar em Washington, que em 26 de janeiro desertou a favor de Guaidó. No vídeo, Yánez pede aos militares que desertem. A página do alto comando na internet lista ele, junto com uma foto, como chefe de planejamento estratégico da Força Aérea. A página do alto comando na Internet lista ele, junto com uma foto, como chefe de planejamento estratégico da Força Aérea.

O conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca, John Bolton, pediu aos militares venezuelanos que seguissem o exemplo de Yánez.

O comandante-geral da Aviação Militar Bolivariana, Major General Pedro Alberto Juliac, reagiu e chamou Yánez de “traidor” e “corrupto”. 

Yánez, diretor de Planejamento Estratégico do alto comando da Aviação Bolivariana, na base aérea de La Carlota, no leste de Caracas, assegurou que "90% da Força Armada Nacional Bolivariana (FAN) não estão com o ditador, estão com o povo da Venezuela".

"Com os acontecimentos das últimas horas, a transição à democracia é iminente, continuar mandando a Força Armada seguir reprimindo o nosso povo é continuar com as mortes de fome, de doenças e, Deus me livre, de combates entre nós mesmos", advertiu.

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Protestos foram convocados pela oposição e receberam apoio dos Estados Unidos.

Segundo o general, "companheiros democratas" do grupo aéreo presidencial lhe informaram que "o ditador tem todos os dias dois aviões prontos". "Que vá embora!", enfatizou. "É um duro golpe para a FANB, embora não tenha comando", disse à AFP a especialista em questões militares Rocía San Miguel. Em sua conta no Twitter, o alto comando acusou o general de traição.

Manifestações na Venezuela

Guaidó, que neste sábado comandará uma manifestação exigindo a saída de Maduro do poder, oferece anistia aos militares que tentarem quebrar o principal apoio do governo, a Força Armada.

"Convido todo o povo da Venezuela a sair pacificamente às ruas e defender o nosso presidente Juan Guaidó. Aos meus companheiros de armas, peço que não deem as costas ao povo da Venezuela, não reprimam mais", acrescentou.

A cúpula da Força Armada declarou em várias ocasiões sua lealdade absoluta ao presidente, mas a instituição mostra fissuras.

Em 21 de janeiro, dois dias antes de Guaidó se autoproclamar presidente interino, 27 militares da Guarda Nacional se rebelaram contra Maduro, e após se entrincheirarem em um quartel de Caracas, foram detidos.

Essa rebelião fez explodir surtos de violência, com pequenos protestos e roubos, que deixaram em uma semana 40 mortos e 850 detidos, segundo relatórios da ONU.

A ONG Controle Cidadão, presidida por San Miguel, calcula que 180 efetivos tenham sido detidos em 2018 acusados de conspirar, e 10.000 membros da Força Armada tenham pedido baixa desde 2015./ AFP, REUTERS e AP

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