EFE/Cortesía Prensa Miraflores
EFE/Cortesía Prensa Miraflores

Na Venezuela, um menor morre assassinado a cada oito horas

Relatório de ONG mostra que uma criança foi assassinada a cada oito horas no país, e que ‘a pobreza, a inflação e a falta de abastecimento têm afetado principalmente os mais jovens’

O Estado de S.Paulo

03 Outubro 2018 | 21h09

CARACAS - A cada oito horas um menor é assassinado na Venezuela, segundo dados divulgados nesta quarta-feira, 3, pelo Observatório Venezuelano de Violência e a Cecodap, uma organização não governamental de defesa dos direitos humanos. Segundo o relatório “Somos Notícia”, 1.134 crianças ou adolescentes foram assassinados na Venezuela em 2017. 

"As estatísticas permitem analisar que no ano de 2017, a cada dia, foram assassinadas três crianças ou adolescentes [entre 15 e 17 anos] na Venezuela. A cada oito horas, um menino, uma menina ou um adolescente morreu de forma violenta”, afirma o relatório.

Segundo o documento, a violência na Venezuela “não tem limites” e afeta crianças “de todas as idades e ambientes, famílias, comunidades e escolas”. “Os dados indicam que 76 crianças dos 0 aos 4 anos de idade morreram assassinadas. Nem sequer a sua curta idade ou condição de vulnerabilidade puderam deter a ação criminosa”, sublinha o relatório. 

Quanto aos motivos que levaram ao homicídio, em 643 casos foram “ajustes de contas (vingança)”, em 92 o motivo foi roubo e 24 casos relacionam-se com “razões passionais”. Ocorreram ainda 21 mortes por “encomenda” e 19 por rixas.

Os dados dão conta ainda de que ocorreram 32 casos de homicídio por abuso policial e que 23 menores foram assassinadas em protestos. Segundo o Cecodap, na Venezuela, há grupos de criminosos que atraem crianças de 10 a 11 anos de idade para atividades criminosas, seduzindo-as com alimentos e outros produtos escassos no país.

Crise na Venezuela

O relatório afirma ainda que 777 menores participaram em roubos no ano de 2017, 141 em assassinatos e 91 estiveram envolvidas com narcotráfico. Já outras 56 crianças participaram em pilhagens a estabelecimentos comerciais, 20 delas em sequestros, 16 em abusos sexuais e cinco em delitos de violência de gênero.

“A pobreza, a inflação, a grave falta de abastecimento e o controle na distribuição e venda de alimentos têm afetado muito especialmente as crianças e adolescentes, com resultados dolorosos e irreparáveis, como a morte por desnutrição ou doenças, graves casos desnutrição, a perda de tamanho e peso em números consideráveis da população”, explica.

Os homicídios não são o único problema, dizem as ONGs. Segundo o relatório, tem havido “situações inéditas” em que as crianças são tiradas da escola “por não terem alimentos ou meios de transporte”.

“A presença de crianças e jovens procurando comida em caixotes de lixo, a separação porque os pais não podem mantê-las e o aumento de casos de pais que emigram, deixando os filhos sozinhos ou acompanhados por um familiar distante, concretizam situações de desintegração familiar, abandono e deterioração da qualidade de vida das crianças ”, diz o relatório.

 

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