Na véspera de discursos decisivos na ONU, Clinton culpa Bibi por impasse

Na véspera de o presidente palestino, Mahmoud Abbas, apresentar formalmente o pedido para ingressar como Estado pleno nas Nações Unidas, o ex-presidente Bill Clinton culpou o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Bibi Netanyahu - que também discursa hoje à tarde-, pelo fracasso no processo de paz do Oriente Médio.

GUSTAVO CHACRA, CORRESPONDENTE / NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

23 Setembro 2011 | 03h03

Durante o dia de ontem, mais uma vez os EUA tentaram convencer Abbas a recuar da intenção de apresentar a proposta hoje, mas não obtiveram sucesso. O assessor palestino Mohammed Ishtayeh, disse que Abbas pediu ontem ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, que tome imediatamente as medidas necessárias assim que a proposta for apresentada.

Apesar de não ter um cargo no governo, o ex-presidente Clinton é marido da atual secretária de Estado, Hillary Clinton, e seu pensamento reflete o que muitas vezes diplomatas americanos dizem a portas fechadas. O premiê israelense seria, na avaliação de membros do governo de Barack Obama que costumam falar sem se identificar, um dos maiores obstáculos para um acordo.

Num evento de sua Clinton Global Initiative, em Nova York, paralelo aos debates da Assembleia-Geral da ONU, o ex-presidente defendeu a posição de Obama de vetar a iniciativa palestina de tentar o reconhecimento pleno nas Nações Unidas. Mas acrescentou que Israel sempre quis ter um parceiro para a normalização das relações com os vizinhos árabes.

"Não há dúvida de que este governo palestino é o melhor que eles já tiveram na Cisjordânia. O governo de Netanyahu disse isso. O rei da Arábia Saudita também disse (na iniciativa árabe, de 2002, e ainda mantida) que, se os israelenses trabalhassem com os palestinos, haveria não apenas reconhecimento (de Israel), como também parceria política, econômica e de segurança", afirmou.

"Agora que eles (israelenses) têm estas duas demandas, elas não parecem tão importantes para o atual governo israelense. Tivemos todos esses imigrantes vindos da ex-União Soviética e eles não têm história em Israel e os pedidos dos palestinos não têm tanto apelo para eles", acrescentou Clinton, de acordo com trechos de sua fala publicados pela revista Foreign Policy.

O Departamento de Estado não quis comentar as declarações, dizendo que "elas refletem o pensamento do ex-presidente" e não necessariamente da atual administração. A portas fechadas, diplomatas americanos costumam dizer que seria mais fácil trabalhar com os opositores israelenses do Kadima.

Wayne White, que foi diretor de inteligência do Departamento de Estado para o Oriente Médio no passado, disse ontem ao Estado que "tende a concordar com Clinton" sobre Bibi ser responsável pela atual situação. "Ele pôs o processo de paz no congelador", acrescentou o analista, atualmente no Middle East Institute. Clinton afirmou ainda que "as duas grandes tragédias" para o processo de paz foram o assassinato do então premiê israelense, Yitzhak Rabin, em 1995, e o derrame sofrido por Ariel Sharon, em 2006 - episódios que golpearam os grupos políticos mais moderados de Israel.

Para se tornar Estado não membro da ONU, os palestinos precisariam da aprovação no plenário da Assembleia.

Já o reconhecimento como Estado pleno exigiria 9 dos 15 votos do Conselho de Segurança. Para complicar, Obama deixou claro que vetaria a iniciativa.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.