Allison Joyce/Reuters
Allison Joyce/Reuters

Na véspera de discursos na ONU, Clinton culpa Netanyahu por impasse

Ex-presidente dos EUA acusa premiê de ser principal obstáculo para a paz no Oriente Médio

Gustavo Chacra, correspondente

22 Setembro 2011 | 21h38

NOVA YORK - Na véspera de o presidente palestino, Mahmoud Abbas, apresentar formalmente o pedido para ingressar como Estado pleno nas Nações Unidas, o ex-presidente Bill Clinton culpou o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Bibi Netanyahu - que também discursa nesta sexta -, pelo fracasso no processo de paz do Oriente Médio.

 

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Apesar de não ter um cargo no governo, o ex-presidente é marido da atual secretária de Estado, Hillary Clinton, e seu pensamento reflete o que muitas vezes diplomatas americanos dizem a portas fechadas. O premiê israelense seria, na avaliação de membros do governo de Barack Obama que costumam falar sem se identificar, um dos maiores obstáculos para um acordo.

 

Num evento de sua Clinton Global Initiative, em Nova York, paralelo aos debates da Assembleia-Geral da ONU, o ex-presidente defendeu a posição de Obama de vetar a iniciativa palestina de tentar o reconhecimento pleno nas Nações Unidas. Mas acrescentou que Israel sempre quis ter um parceiro para a normalização das relações com os vizinhos árabes. "Não há dúvida de que este governo palestino é o melhor que eles já tiveram na Cisjordânia. O governo de Netanyahu disse isso. O rei da Arábia Saudita também disse (na iniciativa árabe, de 2002, e ainda mantida) que se os israelenses trabalhassem com os palestinos, haveria não apenas reconhecimento (de Israel), como também parceria política, econômica e de segurança", afirmou.

 

"Agora que eles (israelenses) têm estas duas demandas, elas não parecem tão importantes para o atual governo israelense. Tivemos todos esses imigrantes vindos da ex-União Soviética e eles não têm história em Israel e os pedidos dos palestinos não têm tanto apelo para eles", acrescentou Clinton, de acordo com trechos de sua fala publicados pela revista Foreign Policy.

 

O Departamento de Estado não quis comentar as declarações, dizendo que "elas refletem o pensamento do ex-presidente" e não necessariamente da atual administração. A portas fechadas, diplomatas americanos costumam dizer que seria mais fácil trabalhar com os opositores israelenses do Kadima.

 

Wayne White, que foi diretor de inteligência do Departamento de Estado para o Oriente Médio no passado, disse ontem ao Estado que "tende a concordar com Clinton" sobre Bibi ser responsável pela atual situação. "Ele pôs o processo de paz no congelador", acrescentou o analista, atualmente no Middle East Institute. Clinton afirmou ainda que "as duas grandes tragédias" para o processo de paz foram o assassinato do então premiê israelense, Yitzhak Rabin, em 1995, e o derrame sofrido por Ariel Sharon, em 2006 - episódios que golpearam os grupos políticos mais moderados de Israel.

 

Negociações

 

Durante a quinta-feira, mais uma vez os EUA não obtiveram sucesso em convencer Abbas a recuar de sua proposta, que deve ser apresentada hoje em seu discurso na ONU. Bibi falará horas depois.

 

Um forte esquema de segurança será montado ao redor da sede da ONU. Partidários de Abbas e opositores da iniciativa palestina organizarão protestos simultâneos que devem reunir milhares de pessoas.

 

Para se tornar Estado não membro da ONU, os palestinos precisariam da aprovação no plenário da Assembleia. Já o reconhecimento como Estado pleno exigiria 9 dos 15 votos do Conselho de Segurança. Para complicar, Obama deixou claro que vetaria a iniciativa.

 

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