Jack Guez/AFP
Jack Guez/AFP

Na véspera de eleição, Netanyahu diz que é contra Estado palestino

Pela primeira vez, primeiro-ministro israelense admite que é contra a solução de dois Estados; objetivo é ganhar voto dos conservadores 

O Estado de S. Paulo

16 Março 2015 | 19h34


JERUSALÉM - Na véspera das eleições gerais israelenses, o premiê Binyamin “Bibi” Netanyahu disse pela primeira vez ser contrário à criação de um Estado palestino. Em segundo lugar nas pesquisas, ele vê seu governo de seis anos ameaçado pela coalizão de centro-esquerda União Sionista, de Isaac Herzog e Tzipi Livni. A declaração, segundo analistas, tem como objetivo ganhar votos do eleitorado conservador. 

“Acredito que qualquer um que queira criar um Estado palestino hoje e retirar gente dessas terras (na Cisjordânia) está dando espaço para ataques do Islã radical contra o Estado de Israel” disse Bibi.“Quem ignora isso está enterrando a cabeça na areia. É o que a esquerda tem feito repetidamente. Nós somos realistas e entendemos esse risco.” Questionado se isso significava que um Estado palestino não seria criado enquanto ele fosse premiê, ele respondeu: “Correto.”

A declaração foi a mais clara tentativa do premiê de negar seu comprometimento com a independência palestina, lançado seis anos atrás, quando assumiu o cargo. “Se garantirmos a desmilitarização e a segurança necessária para Israel e os palestinos reconhecerem Israel como o Estado judaico, estamos dispostos a um verdadeiro acordo de paz”, disse Netanyahu em 2009. Desde então, duas rodadas de negociações de paz entre israelenses e palestinos fracassaram. 

No último dia de campanha, Netanyahu visitou o assentamento de Har Homa, em Jerusalém Oriental, criado por ele em 1997. No evento, o premiê admitiu, também pela primeira vez, que o objetivo do assentamento era evitar que a expansão da cidade palestina de Belém chegasse aos bairros árabes de Jerusalém, que os palestinos desejam ter como capital de seu futuro Estado. 

766E3C01-53A8-483E-9B06-CCE0C7108013
Acredito que qualquer um que queira criar um Estado palestino hoje e retirar gente dessas terras (na Cisjordânia) está dando espaço para ataques do Islã radical contra o Estado de Israel
E0EAB005-9061-4B3D-86B9-AEB61693E313

“Har Homa não é um bairro inocente em território ocupado. É sobre dividir Jerusalém Oriental e Belém”, criticou o porta-voz da Organização para Libertação da Palestina (OLP), Xavier Abu Eid. 

A campanha em Israel foi marcada pela oposição entre duas prioridades de governo: segurança e economia. Netanyahu tentou conquistar a preferência do eleitorado com uma plataforma focada em desafiar as negociações nucleares entre o Irã e as potências ocidentais e em se mostrar o único político capaz de garantir a segurança do país. Há duas semanas, Bibi discursou no Congresso americano contra um acordo, em uma medida que foi contestada nos Estados Unidos e em Israel. 

Assim que Netanyahu começou a cair nas pesquisas, o discurso nacionalista do premiê tornou-se mais intenso. No fim de semana, ele deu uma série de entrevistas com essa retórica, denunciando uma suposta conspiração internacional para tirá-lo do cargo, custeada por “opositores estrangeiros milionários”. 

Coalizão. Herzog, por sua vez, aposta na redução da distância entre ricos e pobres e do alto custo de vida no país como mote de sua campanha. Segundo as últimas pesquisas de intenção de voto, a coalizão trabalhista deve ter entre 25 e 26 cadeiras no Parlamento. O Likud, de Netanyahu, deve obter 21 ou 22. Para formar o governo, uma vez que o sistema do país é parlamentarista, o presidente Reuven Rivlin deverá escolher o líder do partido que julga mais capaz de obter a maioria de 61 deputados para formar uma nova coalizão. 

Nesse sentido, tanto para Herzog quanto para Netanyahu, será essencial obter os apoios dos centristas Yair Lapid e Moshe Kahlon, terceiro e quarto colocados na disputa, respectivamente, que também defendem uma agenda de reforma econômica. Segundo as últimas pesquisas de opinião, 12% dos eleitores ainda estão indecisos, mas 72% dos israelenses defendem uma mudança no governo. / AP, NYT e AFP

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.