Na véspera de sessão sobre Farc, presidente de Conselho da OEA renuncia

Embaixador equatoriano se disse pressionado para não convocar reunião.

Claudia Jardim, BBC

21 de julho de 2010 | 22h57

O embaixador do Equador na Organização dos Estados Americanos (OEA) e presidente do Conselho Permanente da organização, Francisco Proaño, renunciou ao cargo nesta quarta-feira, véspera do dia em que a instituição deverá analisar as supostas provas do governo da Colômbia sobre a presença de líderes guerrilheiros em território venezuelano.

Proaño disse ter sido pressionado pelo chanceler equatoriano, Ricardo Patiño, a adiar a reunião pautada para esta quinta-feira, na qual a Colômbia disse que irá mostrar "evidências" sobre a presença de dirigentes das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e ELN (Exército de Libertação Nacional) na Venezuela.

"Até ontem, tinha o pedido expresso do chanceler para não convocar o Conselho", afirmou Proaño a jornalistas na sede da OEA.

O embaixador equatoriano disse que, caso acatasse a decisão de seu governo, desrespeitaria normas da OEA, que exigem do presidente do Conselho Permanente o atendimento a solicitações dos países membros.

"Tive de renunciar para não contradizer meu chanceler, nem descumprir o regulamento" da OEA, disse Proaño.

Governo

O Ministério de Relações Exteriores do Equador, por sua vez, negou esta versão por meio de um comunicado onde afirma que "em momento algum" o embaixador equatoriano "foi instruído de maneira expressa ou categórica, por via verbal e por nota, que não fosse encaminhada a mencionada solicitação (da Colômbia), como ele expressa em sua carta de renúncia".

A chancelaria equatoriana admitiu, porém, ter pedido a Proaño para "reconsiderar" o pedido da Colômbia" e "adiar" a reunião, "com o objetivo de analisar o atual momento político e realizar consultas com os demais países membros" da OEA.

O governo do presidente equatoriano Rafael Correa afirma considerar que não se deve tratar de "forma precipitada" do assunto, que "pode colocar em risco a manutenção da paz na região".

No lugar de Proaño como representante do Equador na OEA assumirá a ex-chanceler Maria Isabel Salvador.

Logo após a renúncia do equatoriano, foi nomeado como o novo presidente do Conselho Permanente o embaixador de El Salvador na OEA, Joaquín Alexander Maza Martelli.

Sua primeira medida foi convocar para esta quinta-feira, a partir das 10h30 (11h de Brasília), a sessão extraordinária solicitada pela Colômbia.

Crise

A retomada das tensões entre Colômbia e Venezuela teve início na semana passada, quando o governo da Colômbia afirmou ter "evidências" de supostos acampamentos de vários importantes líderes e integrantes dos grupos guerrilheiros colombianos na Venezuela.

O governo venezuelano qualificou como "mentirosas" as acusações, chamou seu embaixador em Bogotá para consultas, e ameaçou romper relações diplomáticas com a Colômbia.

"Se continuam com essa loucura, romperei relações com o governo da Colômbia" e isso tornará "mais difícil a recomposição das relações com o novo governo", afirmou o presidente venezuelano Hugo Chávez.

O presidente colombiano, Álvaro Uribe, deixa o cargo em 7 de agosto, sendo substituído pelo presidente eleito do país, Juan Manuel Santos.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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