Andrew Medichini/Reuters
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Na volta do Oriente Médio, papa Francisco critica pedofilia

Falando a bordo do avião, no retorno a Roma, após viagem a Israel e aos territórios palestinos, pontífice compara abuso sexual a ‘missa satânica’

Richard Furst, Especial Para o Estado / Jerusalém, O Estado de S. Paulo

26 Maio 2014 | 21h45

JERUSALÉM - O papa Francisco encerrou na segunda-feira, 26, sua visita de três dias pelo Oriente Médio. No retorno a Roma, a bordo do avião, o pontífice comparou o abuso sexual de crianças por padres a uma "missa satânica" e disse que terá tolerância zero para qualquer um na Igreja que esteja envolvido em casos de pedofilia, incluindo bispos.

Nesta segunda, o papa também anunciou que terá o seu primeiro encontro com um grupo de vítimas de abuso no Vaticano no início de junho. Questionado se irá se posicionar contra os bispos que foram acusados de abuso sexual, ele disse que não haverá privilégios, acrescentando que três bispos já estão sob investigação. "O abuso sexual é um crime feio, porque um padre que faz isso trai o corpo do Senhor. É como uma missa satânica", disse Francisco. "Temos de ir em frente com a tolerância zero."

Em Israel, momentos antes de retornar a Roma, Francisco pediu que Jerusalém seja "a verdadeira cidade da paz, aberta a todas as pessoas que queiram visitá-la". Ao lado do presidente de Israel, Shimon Peres, ele fez um chamado à reconciliação e à paz. "A construção da paz exige, antes de tudo, respeito à liberdade e à dignidade de cada ser humano que, segundo acreditam judeus, muçulmanos e cristãos, igualmente, foi criado por Deus e está destinado à vida eterna", disse Francisco ao lado de Peres.

Ficou evidente durante a viagem que o papa e o presidente de Israel têm uma relação muito mais amistosa do que a do pontífice com o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu.

Durante o encontro, Francisco saudou Peres com beijos, enquanto trocou um protocolar aperto de mãos com

Netanyahu. O papa e o premiê divergiram sobre que língua falava Jesus dois milênios atrás. "Jesus esteve aqui, nesta terra. Ele falava hebraico", disse Netanyahu a Francisco. "Aramaico", corrigiu o papa. "Ele falava aramaico, mas ele sabia hebraico", retrucou Netanyahu.

Também ontem, Francisco encontrou-se com Peres na residência presidencial. As pessoas que tiveram acesso ao encontro viram os dois plantarem uma oliveira e acompanharam o fim do encontro ao som de crianças cantando a música Gracias a la Vida, conhecida na voz da argentina Mercedes Sosa.

Um incêndio ocorreu ontem numa abadia localizada no Monte Sião. O porta-voz do convento, que fica ao lado do templo, o frei alemão Nikodemus Schnabel, disse que um jovem desceu à cripta, pegou um livro e o incendiou perto do órgão. Momentos antes, o papa havia celebrado uma missa no edifício vizinho, no Cenáculo (considerado o local da Última Ceia e do Túmulo de Davi).

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