EFE/EPA/MICK TSIKAS AUSTRALIA AND NEW ZEALAND OUT
EFE/EPA/MICK TSIKAS AUSTRALIA AND NEW ZEALAND OUT

Nação de gelo e fogo: Austrália sofre com tempestade de granizo após onda de incêndios

Nos últimos dias, País também teve registro de tempestades de areia e poeira que cobriram cidades inteira na região sudoeste

João Ker, O Estado de S.Paulo

20 de janeiro de 2020 | 17h24

SYDNEY - O litoral leste da Austrália foi atingido por uma tempestade de granizo na tarde desta segunda-feira, 20, com “pingos” de chuva do tamanho de bolas de golfe. Apesar de ter durado apenas 15 minutos, o fenômeno foi suficiente para deixar carros amassados, pássaros machucados, prédios destruídos e dois turistas feridos, internados em Camberra. Foram registrados ventos de até 116 km/h, de acordo com o Escritório Australiano de Meteorologia.

Agora, meteorólogos alertam para o risco de tempestades de raios no leste do país, atingindo cidades do Estado de Nova Gales do Sul. Em sua mensagem, o Escritório alerta para a possibilidade de "ventos prejudiciais (possivelmente destrutivos), grandes pedras de granizo (possivelmente gigantes) e fortes chuvas”.

Na região das Montanhas Blue, dois jovens, de 16 e 24 anos, foram atingidos por raios durante as tempestade. Ambos estão em condição estável, de acordo com a agência France-Presse.

Ainda na tarde do domingo, 19, a Austrália registrou outro fenômeno meteorológico que transformou o dia em noite no Estado de Nova Gales do Sul, quando uma tempestade de areia cobriu cidades inteiras. As nuvens, que mediam no mínimo o equivalente a um prédio de 10 andares, começaram na cidade Narromine e estima-se que sua extensão total seja superior à da cidade inteira.  

Tudo isso aconteceu em meio à tentativa de a Austrália se recuperar dos mais de quatro meses ininterruptos de incêndios que deixaram o país devastado e sua vida selvagem irreversivelmente prejudicada. Em números, foram 10 milhões de hectares destruídos pelo fogo, 29 mortes humanas, 2 mil casas e mais de 1 bilhão de animais incinerados. 

Como explica o coordenador geral de pesquisas e desenvolvimento do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), José Antonio Marengo, os fenômenos australianos provavelmente foram acelerados pela recente onda de incêndios no país. Com o aquecimento e desgaste do solo, ele começa a produzir energia que, em questão de minutos, pode ser transformada em um “tornado” ou tempestade de areia. 

Esse processo, que deveria acontecer de forma orgânica e em menor escala acaba sendo acelerado pela interferência humana. “Se você tirasse toda a população, a seca seria um processo natural assim como as queimadas. Mas com a introdução do ser humano, esse impacto fica muito mais forte”, aponta Marengo, afirmando que esse pode ser o início de uma “nova norma meteorológica”.

“O que observamos é que os extremos estão mudando: o verão nos EUA bateu recorde de temperaturas altas e o inverno bate recorde de frio. Já estamos sentindo os primeiros sintomas das mudanças climáticas, o que pode acontecer mais frequentemente no futuro.”

Sinais podem ser observados no Brasil

Apesar de suas particularidades geológicas, um dos paralelos possíveis entre os efeitos climáticos dos incêndios na Austrália é o que aconteceu com as queimadas na Amazônia em 2019. Da mesma forma que o desmatamento ajudou a alastrar o fogo no Norte do País, a interferência humana pode ter contribuído para que os problemas se intensificassem na Oceania.    

“Todos aqueles aerossóis das queimadas na Austrália podem ter gerado uma reação atípica. É mais ou menos o que aconteceu em São Paulo, quando o dia virou noite”, observa Marengo, notando os efeitos sentidos no Sudeste em agosto do ano passado, quando uma nuvem cobriu o céu da capital paulista, mas frisando que, por aqui, a causa foi essencialmente antrópica.

"Claro que os efeitos são diferentes, porque as partículas de fumaça são diferentes entre a Austrália e a Amazônia, mas os impactos são similares. E, de certa forma, a causa seria a mesma: o efeito humano.” 

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