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Nações Unidas criticam situação de opositor preso na Venezuela

Alto-Comissariado da ONU para direitos humanos cobra que direitos de Daniel Ceballos, em greve de fome, sejam garantidos

O Estado de S. Paulo

03 de junho de 2015 | 11h32

NOVA YORK - As Nações Unidas criticaram nesta quarta-feira, 3, as condições em que está preso o ex-prefeito opositor venezuelano Daniel Ceballos, que iniciou uma greve de fome no fim de maio.

Membros do Escritório do Alto-Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos (OHCHR, na sigla em inglês) divulgaram comunicado no qual expressam sua preocupação com o tratamento de Ceballos - que foi, entre outras coisas, transferido da prisão militar Ramo Verde para uma prisão comum a 175 quilômetros da capital sem que sua família e seu advogado fossem avisados.

O ONU pediu que as autoridades venezuelanas garantam que todos os opositores presos em greve de fome além de Ceballos tenham acesso a cuidados de saúde com um médico escolhido por eles, além do direito de reunir-se com seu advogados e familiares.

"Existem sérios problemas com as condições de sua prisão", afirmou o porta-voz do OHCHR, Rupert Colville, em referência a Ceballos. "O grupo das Nações Unidas sobe detenções arbitrárias declarou em agosto que a prisão dele (Ceballos) foi arbitrária."

Ex-prefeito de San Cristóbal, no Estado de Táchira, Ceballos está preso desde março de 2014 por sua suposta responsabilidade em manifestações contra o governo do presidente Nicolás maduro, ocorridos na cidade no primeiro semestre de 2014. Atualmente, ele aguarda ser julgado pelos crimes de rebelião e associação criminosa.

O governo venezuelano não comentou as críticas feitas pela ONU. O defensor público Tarek William Saab afirmou, no entanto, que tanto Ceballos quanto Leopoldo López - líder do partido opositor Voluntad Popular -, que também está em greve de fome, têm os seus direitos garantidos. Saab também disse que os dois políticos estão consumindo bebidas hidratantes durante a greve de fome. 

Visita. O ex-primeiro ministro da Espanha Felipe González afirmou nesta quarta-feira ter esperanças de conseguir encontrar-se no fim de semana com os advogados de Leopoldo López. 

González viajará para a Colômbia na quinta-feira e decidirá, depois que chegar em  Bogotá, se tentará cruzar a fronteira da vizinha Venezuela, informou um porta-voz do espanhol.

O líder chavista Nicolás Maduro criticou em diversas ocasiões a intenção de González se reunir com a defesa do político opositor. Nesta quarta, a ministra de Relações Exteriores de Caracas, Delcy Rodríguez, reiterou que o ex-premiê espanhol "não é bem vindo" no país caribeno. Em abril, a Assembleia venezuelana declarou González persona. / AP

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