Nada fundamental mudou na estratégia militar dos EUA

É possível que Barack Obama tente culpar seu predecessor, mas os relatórios sobre a guerra do Afeganistão deixam claro que agora esta é a sua guerra. A defesa da Casa Branca - que alega que a série de fracassos ocorreu no mandato de George W. Bush - parece problemática. Desde que Obama concluiu uma revisão dessa política, em dezembro, e decidiu enviar outros 30 mil soldados para o combate, aumentaram a violência e a confusão a respeito da estratégia de contrainteligência e do prazo da saída.

Simon Tisdall, O Estado de S.Paulo

27 de julho de 2010 | 00h00

Os objetivos americanos já foram consideravelmente reduzidos. Hoje, ouvimos falar bem menos da criação de instituições, de uma governança transparente, livre da corrupção, e de grandiosos projetos de infraestrutura.

Os objetivos da guerra da mais poderosa aliança militar do mundo diminuíram consideravelmente e não passam de esperanças: criar uma Estado relativamente estável, garantir que não mais proteja a Al-Qaeda e, depois, sair correndo.

Todas essas incertezas, que evoluíram ou se exacerbaram no mandato de Obama, superam a mais imponderável de todas: quando e como os EUA poderão conversar com o Taleban e seus aliados.

"Os próximos seis meses serão cruciais para uma reavaliação cuidadosa (porém sensata) da nossa estratégia", disse um ex-funcionário de alto escalão do governo americano, que pediu anonimato

Os relatórios da guerra falam dos últimos seis anos. Quanto ao que ocorrerá no futuro, aparentemente, não temos motivos, até o momento, para acreditar que as lições tenham sido aprendidas ou que algo fundamental tenha mudado na estratégia americana. Mas não devemos nos preocupar. Obama fará outra revisão de sua política em dezembro. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

É ANALISTA DO "GUARDIAN"

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