Assaad Ahmad/AP
Assaad Ahmad/AP

Najib Mikati, novo primeiro-ministro, prepara governo no Líbano

Sunita deve se reunir com ex-premiês para consultas sobre formação de novo gabinete

Agência Estado

26 de janeiro de 2011 | 11h45

BEIRUTE - O novo primeiro-ministro do Líbano, Najib Mikati, que é apoiado pelo Hezbollah, prepara-se para as conversas sobre a formação de um governo no país, bastante dividido politicamente.

 

A calma voltou às ruas libanesas, após violentos protestos na terça-feira. Moderado magnata do setor de telecomunicações, Mikati deve fazer nesta quarta-feira, 26, visitas de protocolo a cinco de seus antecessores, antes de iniciar na quinta as conversas com os grupos parlamentares.

 

A segurança estava reforçada nas ruas e várias escolas do Líbano permaneciam fechadas nesta quarta, mas o trânsito voltou ao normal após um dia de protestos, realizados por partidários do primeiro-ministro Saad Hariri, que está prestes a deixar o cargo.

 

Além da capital Beirute, as tropas patrulhavam também a cidade portuária de Trípoli, no norte do país, terra natal de Mikati. Na cidade havia faixas com a inscrição "Mikati, nomeado por Khamenei", em referência ao líder supremo do Irã, Ali Khamenei.

 

Sob o complexo sistema de divisão de poder do Líbano, o primeiro-ministro deve ser um muçulmano sunita. Mikati é um sunita, mas os partidários de Hariri, apoiado pela Arábia Saudita e pelos EUA, viram sua nomeação como uma estratégia do grupo militante xiita Hezbollah para ganhar poder. O grupo é apoiado por Síria e Irã.

 

Mikati, de 55 anos, recebeu a tarefa de formar um novo governo após o Hezbollah e seus aliados derrubarem o gabinete de Hariri. O motivo foi uma disputa por causa de um tribunal das Nações Unidas que investiga o assassinato em 2005 do ex-primeiro-ministro Rafiq Hariri, pai de Saad. Especula-se que o tribunal indicie membros do Hezbollah pelo crime.

 

Em uma entrevista à France Presse, Mikati disse esperar resolver o impasse pelo diálogo. "Parar o tribunal não é mais uma decisão libanesa", notou. Ele acrescentou, porém, que a cooperação libanesa com o tribunal é outra questão, sem dar mais explicações.

 

Mikati também rejeitou a acusação de que ele era um "homem do Hezbollah", dizendo que não está atrelado à agenda do grupo. "Eu digo com toda a honestidade que minha nomeação pelo Hezbollah não significa que estou comprometido com nenhuma de suas posições políticas, exceto no que concerne à proteção da resistência nacional", comentou, referindo-se à luta do grupo militante xiita contra Israel.

 

Reações

 

A Turquia pediu que as facções do Líbano mostrem moderação, advertindo para o risco de implicações maiores para a estabilidade regional. "Nós pedimos a todos os partidos que evitem a violência e ajam com bom senso e dentro da legitimidade democrática", afirmou um comunicado do Ministério das Relações Exteriores turco. O texto notava que a piora nas tensões e o aprofundamento da polarização poderia "prejudicar o povo do Líbano e levar à instabilidade e a momentos de divisão em toda a região".

 

Já o vice-primeiro-ministro de Israel, Silvan Shalom, disse que o Líbano estava se tornando "refém" do Irã e do Hezbollah. "A comunidade internacional deve fazer de tudo para impedir o Hezbollah e o Irã de tomarem o Líbano como refém", afirmou ele, em entrevista à rádio pública israelense. "O Hezbollah não é simplesmente uma organização terrorista, é uma organização terrorista controlada pelo Estado iraniano", disse Shalom. As informações são da Dow Jones.

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