Shawn Thew/EFE
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Nancy Pelosi diz que vai iniciar 2º processo de impeachment contra Trump; 56% apoiam

Nova ameaça de destituição ganhou força após a invasão do Capitólio na quarta-feira por apoiadores do atual presidente dos EUA

Redação, O Estado de S.Paulo

11 de janeiro de 2021 | 08h59
Atualizado 11 de janeiro de 2021 | 09h20

WASHINGTON - A presidente da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos, Nancy Pelosi, afirmou no domingo, 10, que está pronta para iniciar o segundo processo de impeachment contra o presidente Donald Trump, a menos que ele renuncie do cargo nos próximos dias.

Pelosi, que lidera os democratas no Congresso, disse que levará o processo impeachment ao plenário da Câmara se Trump não for removido do cargo - o próprio gabinete do presidente pode afastá-lo acionando a 25ª emenda da Constituição dos EUA e declarando o Trump como inapto à permanência no cargo.

A nova ameaça de impeachment ganhou força após a invasão do Capitólio por apoiadores de Trump, que terminou com cinco mortos, incluindo um policial, na semana passada. Autoridades anunciaram neste sábado que prenderam 18 dos invasores. 

Uma pesquisa da ABC News/Ipsos divulgada no domingo mostrou que 56% dos americanos acreditam que Trump deve ser removido do cargo antes do fim do mandato, enquanto 43% dizem que não. Os dados mostram ainda metade dos americanos querem que Trump seja cassado, que a 25ª Emenda seja invocada ou que Trump renuncie do cargo. 

O texto do pedido de impeachment culpa diretamente o presidente pelo incidente. "Em tudo isso, o presidente Trump ameaçou gravemente a segurança dos Estados Unidos e de suas instituições de governo. Ele ameaçou a integridade do sistema democrático, interferiu na transição pacífica de poder e colocou em perigo um braço coordenado do governo".

O documento já foi assinado por pelo menos 180 congressistas, de acordo com o deputado democrata Ted Lieu. Trump, que pediu a seus partidários que se reunissem em Washington para um protesto contra sua derrota nas eleições de novembro, postou um vídeo na quinta prometendo uma "transição ordenada" para o governo Biden.

Mas o presidente também ressaltou que era "apenas o começo da nossa luta". A mensagem levou o Twitter a suspender a conta de Trump permanentemente e alimentou as ações dos democratas contra ele. À suspensão de sua conta no Twitter, @realDonaldTrump, o republicano reagiu em um comunicado na sexta acusando a plataforma de "coordenar com os democratas e a esquerda radical".

Biden cede ao Congresso

Vários democratas e pelo menos três senadores republicanos — Lisa Murkowski,  Ben Sasse e Pat Toomey — pediram que Trump renunciasse e evitasse a confusão de um processo de impeachment em sua última semana completa no poder. Não está claro, contudo, se eles apoiariam um impeachment contra o presidente. 

Assim como quando Trump sofreu processo de impeachment em uma traumática votação partidária em 2019 — mas em que terminou sem ser condenado — o processo exige primeiro o apoio da maioria na Câmara dos Deputados, controlada pelos democratas e, em seguida, para a condenação, a aprovação de dois terços no Senado.

Atingir dois terços seria difícil num Senado dividido. Apoiadores de Trump, incluindo o senador Lindsey Graham, pediram que Biden atue junto aos principais democratas para impedir o impeachment.

"Estou ligando para o presidente eleito Biden, para Nancy Pelosi e para o 'Squad' para encerrar o segundo impeachment", disse Graham na sexta à Fox News, referindo-se à presidente da Câmara e a um grupo de quatro jovens democratas progressistas. Mas Biden evitou, na sexta-feira, a pergunta de um repórter sobre o impeachment. "O que o Congresso decidir fazer é o que deve fazer", disse ele. / AFP

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