Oliver Contreras/The New York Times
Oliver Contreras/The New York Times

Nancy Pelosi se envolveu em mais um corte de cabelo politicamente perigoso; relembre outros

Líder democrata na Câmara buscou um salão em São Francisco para fazer o corte, mas imagens dela dentro do local, sem máscara, viraram munição para seus adversários

Gillian Brockell / The Washington Post, O Estado de S.Paulo

05 de setembro de 2020 | 07h00

WASHINGTON - A presidente da Câmara dos Deputados dos EUA, Nancy Pelosi, foi criticada pelos republicanos esta semana depois que a Fox News obteve imagens de uma câmera de vigilância da democrata dentro de um salão de beleza em São Francisco. O problema é que os donos de salão da Califórnia foram proibidos de trabalhar em ambientes fechados por causa da pandemia de coronavírus

A filmagem mostrou Pelosi com a máscara puxada para baixo em volta do pescoço. Ela insistiu que se tratou de "uma armação" - o cabeleireiro disse a ela que não havia problema em ter um cliente de cada vez, e ela abaixou a máscara  brevemente após usar um shampoo. 

O comentarista de direita Ben Shapiro tuitou que tinha “uma coisa de Maria Antonieta acontecendo lá”. A Casa Branca estava preocupada com o caso que sua secretária de imprensa Kayleigh McEnany chegou a mencioná-lo na quinta-feira.

Mas não se pode dizer que a história não a avisou. Cortes de cabelo e estilos têm colocado os políticos em maus lençóis há muito tempo. 

Em 1993, o Washington Post revelou que o presidente Bill Clinton cortou o cabelo a bordo do Air Force One quando estava na pista do Aeroporto Internacional de Los Angeles. Fontes relataram que o trato no visual atrasou voos comerciais. Os rumores de um congestionamento de tráfego aéreo revelaram-se falsos, mas o custo do corte de cabelo - US$ 200 (cerca de U$ 360 de 2020) - foi um escândalo na época. 

É difícil de acreditar agora com nosso ritmo acelerado de notícias, mas a polêmica dominou as manchetes por pelo menos seis semanas e "manchou a imagem pública "de Clinton". O estilista Cristophe, de Beverly Hills, tornou-se famoso naquela época pré-Twitter.

Quase 15 anos depois, o ex-senador John Edwards democrata estava prestes a repetir o fiasco do que ficou conhecido como "Hair Force One" de Clinton. Mais uma vez, a mídia noticiou seus caros cortes de cabelo com um estilista de Beverly Hills - mas desta vez custaram US$ 400, o estilista foi levado de avião e as cobranças apareceram nos relatórios de gastos de campanha de Edwards.

Edwards, que estava concorrendo à presidência com uma plataforma anti-pobreza, disse que estava envergonhado e reembolsou a campanha. Mas acabou que esse não foi seu único comportamento de se arrepiar os cabelos; ele também estava tendo um caso extraconjugal. Edwards acabou sendo indiciado por acusações de corrupção. No julgamento, ele foi declarado inocente em uma das acusações e a anulação do julgamento foi declarada em todas as outras acusações.

Em 2012, o New York Post afirmou que Edwards tinha passado a frequentar o Supercuts, onde o corte custava US$ 12,95.

Mas os escândalos políticos sobre penteados caros não se limitam às terras americanas. Em 2016, #CoiffeurGate estourou na França quando foi revelado que o cabeleireiro do presidente François Hollande recebia US$ 11 mil por mês.

Uma porta-voz do governo piorou ainda mais as coisas ao justificar a despesa: “Todo mundo faz o cabelo, não é? Esse cabeleireiro teve de abandonar seu salão e está disponível 24 horas por dia.” O cabeleireiro estaria tão ocupado modelando o cheveux (cabelo) presidencial que perdeu o nascimento de seus filhos.

E há o cabelo do presidente Donald Trump, lendário muito antes de ele entrar para a política, e não por seu preço, mas sim pelo mistério sobre o que exatamente está acontecendo com ele. Ele sempre insistiu que a sua assinatura em sua cabeça é o seu próprio cabelo. Mas quem corta? Em 2004, ele disse à Playboy que sua então noiva, a primeira-dama Melania Trump, cortava seu cabelo. E em 2016, o Hollywood Reporter afirmou que Trump disse a um estilista: “A única que permito tocar meu cabelo é Melania”.

Mas naquele mesmo ano, o então candidato Trump permitiu que o apresentador da madrugada Jimmy Fallon não apenas tocasse, mas também causasse um grande frisson.

Os oponentes de Trump criticaram Fallon por “normalizar” o candidato republicano. As avaliações de Fallon caíram 20%, e ele se desculpou repetidamente pelo episódio, dizendo que "cometeu um erro".

Mudanças de cabelo e estilo na política nem sempre são perigosas, no entanto. Durante a campanha eleitoral de 1860, Abraham Lincoln foi descrito como "magro, com cara de machado" e "um desgraçado de aparência horrível". 

Então ele recebeu uma carta de Grace Bedell, de 11 anos, que o aconselhou a deixar os bigodes crescerem. "Você ficaria muito melhor", disse ela. Ele ouviu. E, talvez o mais importante, a dica saiu de graça.

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